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Universidade Eduardo Mondlane

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Lércio Uafinda sai da UEM com 20 valores e uma solução para a indústria

Estudante desenvolveu um software industrial baseado em inteligência artificial para optimizar a geometria de um compressor de hidrogénio

Chama-se Lércio Uafinda e alcançou a classificação máxima de 20 valores na defesa do seu trabalho de fim do curso em Engenharia Mecânica, na Universidade Eduardo Mondlane, com o projecto intitulado “Desenvolvimento de um software industrial que utiliza inteligência artificial para optimizar a geometria de um compressor de hidrogénio”.

Essencialmente, o projecto consistiu no desenvolvimento de um software computacional equipado com um sistema de inteligência artificial, concebido para obter parâmetros optimizados de um compressor de hidrogénio.

O sistema poderá ser utilizado pelas indústrias na produção e no armazenamento de hidrogénio. Refira-se que o hidrogénio pode ser utilizado para diversas finalidades, entre as quais a produção de energia eléctrica e, quando convertido em amoníaco, a produção de fertilizantes para o sector agrícola.

Segundo o estudante, a metodologia de trabalho adoptada permitiu concluir o projecto em apenas cinco meses. “Tive muita interacção com o supervisor. Em todas as últimas Quintas-feiras de cada mês, tínhamos de fazer a apresentação do trabalho, e isso ajudou bastante para que me preparasse para o dia da defesa”, descreve.

O projecto foi supervisionado pelo Prof. Doutor Jorge Nhambiu, docente experiente e antigo Ministro da Ciência e Tecnologia. Lércio explica que a experiência, criatividade e paixão do Prof. Nhambiu foram determinantes para o sucesso do projecto.

Proveniente da província da Zambézia, Lércio Uafinda diz sentir-se muito feliz com a proeza alcançada e com o impacto que a classificação obtida na conclusão do curso teve, inclusive, no seio familiar. O recém-licenciado espera, agora, contribuir para o mercado de trabalho com os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação.

Para o supervisor, o Prof. Doutor Jorge Nhambiu, o sucesso do projecto resulta de um trabalho diário e árduo, que incluiu a realização de actividades concretas durante os cinco meses de desenvolvimento.

Nhambiu fez saber que Lércio Uafinda faz parte de um grupo de 17 estudantes que está a supervisionar este ano. “Os estudantes devem obedecer a um regime que eu estabeleço, porque esquecem que o trabalho de conclusão também é uma disciplina. Sendo uma disciplina, eles devem trabalhar todos os dias no trabalho de fim de curso”, explicou.

Nhambiu afirma que, nos seus mais de 30 anos de docência e supervisão de estudantes, é a primeira vez que um estudante alcança a classificação de 20 valores. Todavia, aponta algumas razões que podem estar por detrás deste resultado, entre as quais o investimento realizado nos últimos anos, que contribuiu para a melhoria dos laboratórios e para uma maior acessibilidade a ferramentas tecnológicas, incluindo softwares mais modernos.“O que está por detrás desses resultados são os investimentos realizados, que alteraram a maneira como nós transmitimos os conhecimentos. O investimento está a começar a produzir os resultados que eram esperados. Há laboratórios e os estudantes aprendem muito rápido”, concluiu.