
Cientistas aprendem a comunicar com impacto
Como transformar descobertas científicas em mensagens que inspiram decisões, geram mudanças e envolvem o público? Esta é a pergunta que move o seminário regional sobre comunicação científica eficaz, que decorre em Maputo, entre os dias 28 de Julho e 1 de Agosto, reunindo 20 cientistas de 10 países do Oceano Índico Ocidental.
A iniciativa é promovida pelo Centro Regional de Excelência em Estudos de Engenharia e Tecnologia de Petróleo e Gás (CS-OGET) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em parceria com a WIOMSA (Western Indian Ocean Marine Science Association). O foco está em capacitar investigadores para que comuniquem a ciência de forma mais clara, acessível e com verdadeiro impacto social.
“Para que a comunicação seja bem-sucedida, o treinamento do pessoal docente, investigador e técnico administrativo é fundamental”, destacou, na sessão de abertura, o Director Científico da UEM, Prof. Doutor Emílio Tostão.
Segundo Tostão, a UEM aposta numa ciência transformadora, alinhada com a sua Política de Investigação e de Extensão e Inovação e com o seu Plano Estratégico. Para o académico, comunicar ciência deixou de ser uma actividade secundária: hoje é parte integrante da produção de conhecimento, com potencial real de influenciar políticas públicas, melhorar vidas e combater a desinformação.
Durante cinco dias, os participantes, provenientes do Quénia, Tanzânia, Moçambique, África do Sul, Comores, Madagáscar, Seicheles, Maurícias e Reunião, vão explorar, por meio de sessões práticas e colaborativas, estratégias inovadoras para tornar a investigação científica mais envolvente e relevante para públicos não especializados, como decisores políticos, jornalistas, professores, estudantes e comunidades locais.
O Prof. Doutor António Cumbane, Director-adjunto do CS-OGET, realçou que a comunicação científica é ainda mais crítica num contexto de grande riqueza e vulnerabilidade marinha, como o do Oceano Índico Ocidental.
Por seu turno, a Dr.ª Daniela de Abreu, representante da WIOMSA em Moçambique, destacou que comunicar ciência não é apenas dar visibilidade à investigação, mas mobilizar conhecimento com propósito. A comunicação científica precisa ser clara, fiável e capaz de gerar acção, defendeu.
O facilitador, Doutor Richard Kimwaga, reforçou a ideia de que a ciência só cumpre a sua missão quando é compreendida. O papel do cientista é gerar conhecimento que transforma. Para isso, é preciso ir além dos laboratórios e comunicar com o mundo real, reforçou.
Coordenado pelo Prof. Doutor Afonso Daniel, o curso responde a desafios urgentes da actualidade, como o combate à desinformação e a necessidade de políticas públicas baseadas em evidência científica. “O que estamos a tentar explicar, aqui na formação, é que não basta apenas produzir ciência, é preciso que esta ciência chegue à sociedade e aos demais interessados”, rematou.