
2,4 milhões de crianças fora da escola
Moçambique enfrenta um grande desafio no sector da educação básica: cerca de 2,4 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar estão fora da escola. Este problema atinge, principalmente, meninas e pessoas com deficiência, evidenciando desigualdades no acesso à educação. Além disso, aproximadamente 30% da população, entre os 5 e os 17 anos, nunca frequentou uma instituição de ensino.
Especialistas acreditam que a massificação do uso de tecnologias pode ser um factor decisivo para melhorar o actual cenário. Esta perspectiva foi tema de debate durante o Workshop de Engajamento da Estratégia Nacional para a Transformação Digital no Ensino Básico, realizado no dia 6 de Março na Escola de Comunicação e Artes (ECA).
Durante o evento, académicos e especialistas reforçaram a necessidade de investir na digitalização do ensino como um meio de ampliar o acesso e garantir maior inclusão educacional.
Segundo o Prof. Doutor Manuel Mangue, responsável pela apresentação da Estratégia, é fundamental desenvolver competências digitais entre professores e profission
ais da educação. No entanto, diversos desafios precisam ser superados, para garantir uma implementação eficaz da Estratégia e do respectivo Plano de Acção.
Um dos principais obstáculos é a localização da maioria dos estudantes: 66,6% das crianças e adolescentes em idade escolar vivem em áreas rurais, onde a cobertura de energia eléctrica é limitada. Além disso, um levantamento realizado em 246 escolas moçambicanas, abrangendo unidades básicas, primárias e secundárias, revelou dados preocupantes: apenas 44,3% das escolas
possuem corrente eléctrica; 59,6% das escolas não possuem salas de aula suficientes; apenas 19,1% contam com biblioteca; 10,4% possuem sala de informática; 8,3% contam com laboratório; apenas 6,1% das escolas têm acesso à internet; e somente 3,9% possuem uma rede de computadores.
Quanto ao uso de tecnologia na gestão escolar e nas actividades pedagógicas, o levantamento apontou que 23,9% das escolas possuem equipamentos tecnológicos para actividades administrativas; 23,3% não dispõem de nenhum equipamento tecnológico; 17,6% utilizam tecnologia tanto para fins administrativos quanto pedagógicos; apenas 7,4% das escolas possuem tecnologias exclusivamente para fins pedagógicos.
Diante desse cenário, o Prof. Doutor Manuel Mangue destacou que, esses desafios, serão considerados no desenho da Estratégia, garantindo que a transformação digital contribua para a inclusão de todos no sistema educacional.
A Directora da Escola de Comunicação e Artes, Prof. Doutora Ezra Nnhampoca, enfatizou que a transformação digital é um processo irreversível no mundo contemporâneo. Para esta, essa mudança deve começar na base, onde se formam os futuros profissionais. “O ensino básico é a fase inicial do processo de ensino e aprendizagem, e é nesse período que se dá o desenvolvimento e a construção das personalidades dos profissionais do futuro.”
Ezra Nhampoca ressaltou ainda a importância da Estratégia e do Plano de Acção, salientando que, o desenvolvimento de competências, habilidades e literacia digita,l deve começar desde cedo. “Afinal, já diz o ditado: “é de pequeno que se torce o pepino”, concluiu.