
UEM inaugura Centro de Dados
Nova infra-estrutura vai impulsionar a transformação digital e fortalecer a investigação científica em Moçambique
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) escreve um novo capítulo da sua história tecnológica com a inauguração do seu moderno Centro de Dados, uma infra-estrutura concebida para responder às crescentes exigências do ensino superior, da investigação científica e da transformação digital do País. Mais do que um investimento em equipamentos, o novo Centro de Dados representa a construção de uma plataforma de futuro, capaz de suportar a inovação, garantir a segurança da informação e acelerar a produção de conhecimento em benefício da sociedade moçambicana.
Implementado pelo Ministério das Comunicações e Transformação Digital, através do Projecto MozSkills, com financiamento do Banco Mundial, o Centro de Dados surge num momento em que universidades de todo o mundo dependem cada vez mais de infra-estruturas digitais robustas para assegurar a continuidade das actividades académicas, científicas e administrativas. Na UEM, a nova infra-estrutura consolida uma tradição iniciada há décadas pelo Centro de Informática (CIUEM), instituição pioneira na introdução da Internet em Moçambique e no desenvolvimento dos serviços digitais nacionais.
Discursando na cerimónia de inauguração, o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Prof. Doutor Américo Muchanga, esclareceu que a instalação do Centro de Dados na UEM resulta do reconhecimento da capacidade técnica, da credibilidade institucional e da experiência acumulada pela Universidade na gestão de infraestruturas digitais de interesse nacional.
Segundo o governante, a escolha não foi circunstancial, mas assenta no papel histórico desempenhado pela UEM na formação de recursos humanos altamente qualificados, na expansão do acesso à Internet e na disponibilização de serviços tecnológicos que beneficiam não apenas a comunidade académica, mas toda a sociedade moçambicana. “Ao longo da sua história, a UEM tem contribuído para a construção do ecossistema nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), através da formação de quadros, da expansão do acesso à Internet e da disponibilização de conhecimentos e serviços à sociedade moçambicana, disse.”
O Ministro destacou, igualmente, a gestão, pela UEM, do domínio nacional “.mz” e do MOZIX — o Ponto de Troca de Tráfego da Internet de Moçambique — considerando estas iniciativas exemplos de uma cultura institucional assente na partilha do conhecimento, na responsabilidade pública e no serviço ao desenvolvimento nacional.
Infra-estrutura deverá impulsionar inovação, inteligência artificial e empreendedorismo
Para Américo Muchanga, o verdadeiro desafio começa agora: transformar a robustez tecnológica do Centro de Dados em valor económico, científico e social.
Na sua visão, a Universidade reúne condições privilegiadas para aproximar a investigação científica do sector produtivo, promovendo um ecossistema capaz de acelerar a inovação e criar novas oportunidades para a juventude. “Com regras claras e modelos sustentáveis, o Centro poderá apoiar serviços de nuvem, projectos de ciência de dados e inteligência artificial, laboratórios digitais e soluções desenvolvidas por estudantes, investigadores, startups e pequenas empresas tecnológicas”, explicou.
O Ministro sublinhou que esta visão converge com a orientação estratégica do Presidente da República, Daniel Chapo, que coloca a inovação, a transformação digital e o empreendedorismo entre os principais motores do desenvolvimento económico e da inclusão social.
Acrescentou, ainda, que a iniciativa está alinhada com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento, o Programa Quinquenal do Governo e diversos instrumentos continentais, incluindo a Estratégia de Transformação Digital para África (2020–2030), o Quadro de Política de Dados da União Africana, o Pacto Digital Africano e a Estratégia Continental de Inteligência Artificial, aprovada em 2024.
Centro de Dados aproxima a UEM do modelo de Universidade de Investigação
Na sua intervenção, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, classificou a inauguração como um dos investimentos tecnológicos mais importantes realizados recentemente pela instituição, por representar uma mudança estrutural na capacidade científica, académica e administrativa da Universidade.
Segundo o Reitor, a nova infra-estrutura reforça a visão da UEM de ser uma universidade de referência nacional, regional e internacional na produção e disseminação do conhecimento científico e na inovação, tendo a investigação como base dos processos de ensino-aprendizagem e extensão.
O Reitor revelou que a migração da antiga Sala de Servidores para o novo Centro de Dados representa um salto tecnológico sem precedentes, traduzido num aumento de cerca de 14 vezes da capacidade de armazenamento da Universidade.
Para Manuel Guilherme Júnior, esta evolução cria condições para consolidar plataformas digitais de ensino e aprendizagem, expandir projectos científicos de elevada complexidade, reforçar a segurança da informação institucional e oferecer serviços tecnológicos mais robustos à comunidade universitária e à sociedade. “Este investimento está directamente alinhado com o Plano Estratégico da UEM 2018–2028, cujo propósito central é transformar a UEM numa Universidade de Investigação. De forma mais holística, esta infraestrutura vai contribuir para a Agenda 2030 e para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”, defendeu.
Na ocasião, o Reitor apelou à comunidade universitária para utilizar o novo Centro de Dados com elevado sentido de responsabilidade, criatividade e compromisso institucional, transformando-o num verdadeiro catalisador da inovação e da produção científica.
Manifestou a expectativa de que o investimento resulte em serviços digitais mais fiáveis, processos administrativos mais eficientes, investigação mais competitiva, melhor experiência académica para estudantes e docentes e no desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de responder aos desafios do desenvolvimento de Moçambique.
Um salto tecnológico para os próximos dez anos
Concebido de raiz, o novo Centro de Dados foi dimensionado não apenas para responder às necessidades actuais da Universidade, mas também para acompanhar o crescimento esperado na próxima década.
Segundo o Chefe do Departamento de Sistemas Operativos e Serviços de Internet do CIUEM, Engenheiro David Bila, a nova infra-estrutura aumenta significativamente a capacidade institucional de processamento e armazenamento de informação.
“Com a requalificação do novo data center, a nossa capacidade de processamento e armazenamento de informação vai aumentar substancialmente. Foi projectado para responder às necessidades actuais e acomodar o crescimento previsto para os próximos cinco a dez anos.”
Para o Director do CIUEM, Prof. Doutor Luís Neves, o Centro de Dados constitui um dos mais importantes investimentos tecnológicos da história recente da Universidade.
Segundo explica, a infra-estrutura permitirá alojar aplicações críticas da modernização universitária, apoiar tecnologias emergentes como inteligência artificial e computação de elevado desempenho, além de assegurar elevados níveis de disponibilidade dos serviços essenciais, incluindo infra-estruturas estratégicas cuja gestão é assegurada pela UEM.
Com a entrada em funcionamento do centro de dados, a Universidade expandirá os seus serviços digitais sem comprometer o desempenho, garantindo maior disponibilidade, continuidade operacional e escalabilidade.
O coração tecnológico da Universidade
Descrito como o “coração tecnológico” da UEM, o Centro de Dados alberga os sistemas responsáveis pelo funcionamento das plataformas de ensino, serviços administrativos, bibliotecas digitais, investigação científica, comunicações institucionais e diversas aplicações críticas utilizadas diariamente por estudantes, docentes, investigadores e funcionários. Além da capacidade computacional, integra soluções modernas de energia, climatização, monitoria ambiental, protecção física e redundância operacional, assegurando elevada disponibilidade dos serviços digitais.
Entre as suas principais características destacam-se a elevada capacidade de crescimento para responder às futuras necessidades institucionais; a integração de energia fotovoltaica, promovendo eficiência energética e sustentabilidade; o reforço da segurança e protecção do património digital; a centralização dos recursos tecnológicos da Universidade; criando condições para maior eficiência operacional e redução gradual dos custos tecnológicos.
Investigação científica ganha novo impulso
Um dos sectores que mais beneficiará da nova infra-estrutura será a investigação científica. O Professor Associado Jorge Nhambiu considera que o Centro de Dados eliminará uma das principais limitações enfrentadas pelos investigadores: a dependência de infra-estruturas externas para armazenar grandes volumes de informação.
“Nós trabalhamos com inteligência artificial e precisamos de grandes repositórios para armazenar dados. Com o Centro de Dados teremos capacidade para trabalhar com modelos muito mais robustos e desenvolver protótipos que poderão ser utilizados em diversas áreas do conhecimento.”
Na Faculdade de Medicina, o impacto será igualmente significativo. O Director da Faculdade, Jahit Sarcarlal, sublinha que a nova infra-estrutura permitirá conservar com segurança enormes quantidades de informação clínica e científica produzidas pela instituição.
“Será um repositório seguro e confiável para armazenar grandes volumes de informação em saúde, apoiando o trabalho que desenvolvemos com Big Data e fortalecendo a investigação médica.”
Da inteligência artificial às alterações climáticas
Os benefícios do Centro de Dados estendem-se muito para além das áreas tecnológicas. O investigador Genito Maure, especialista em modelação climática, acredita que a nova infra-estrutura favorecerá uma investigação cada vez mais interdisciplinar.
Segundo explica, áreas como Física, Biostatística, Saúde Pública e Ciências Ambientais passarão a partilhar grandes bases de dados, promovendo investigação colaborativa sobre desafios nacionais como alterações climáticas, propagação da malária e sustentabilidade ambiental.
Uma infra-estrutura ao serviço do País
Para a Professora Associada Esselina Macome, o novo Centro de Dados ultrapassa os limites físicos da Universidade.
Na sua perspectiva, trata-se de uma infra-estrutura com capacidade para servir igualmente outras instituições académicas, organismos públicos e parceiros nacionais, consolidando o papel da UEM como principal plataforma de transformação digital do ensino superior moçambicano.
“A UEM dá um passo gigantesco. Este centro de dados não servirá apenas a comunidade académica da Universidade, mas poderá apoiar também outras instituições. É um sinal claro da direcção que a Universidade deve seguir na transformação digital.”
Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Prof. Doutor Lourino Chemane, enquadra o projecto nas políticas nacionais de ciência, tecnologia e inovação.
Segundo afirma, todas as áreas científicas produzem dados estratégicos que precisam de ser armazenados com segurança, razão pela qual o investimento da UEM representa um importante contributo para o fortalecimento da capacidade nacional de gestão de informação e para a consolidação da sociedade digital moçambicana.
Muito mais do que servidores
Num contexto em que o conhecimento é cada vez mais produzido, partilhado e preservado em formato digital, o novo Centro de Dados simboliza muito mais do que uma sala repleta de equipamentos tecnológicos.
Representa a capacidade da Universidade Eduardo Mondlane de proteger o seu património digital, acelerar a investigação científica, apoiar o ensino presencial, híbrido e à distância, fomentar a inovação, fortalecer parcerias nacionais e internacionais e criar as bases para uma universidade cada vez mais inteligente, resiliente e preparada para responder aos desafios do século XXI.
