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Universidade Eduardo Mondlane

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UEM coloca 273 novos profissionais no mercado em Inhambane e Gaza

Graduações da ESUDER, ESHTI e ESNEC juntam histórias de superação ao desafio de responder às necessidades do país

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) graduou, entre 26 e 29 de Agosto, 273 profissionais nas suas escolas superiores de Vilankulo, Inhambane e Chibuto, numa sequência de três cerimónias que juntou celebração, histórias de superação e apelos para que o conhecimento adquirido se traduza em soluções para os problemas das comunidades.

A Escola Superior de Desenvolvimento Rural (ESUDER), em Vilankulo, graduou 141 profissionais, dos quais 136 licenciados e cinco mestres. Seguiram-se 57 graduados da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane (ESHTI) e 75 da Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto (ESNEC). Por detrás dos números, estão percursos diferentes, alguns marcados por dificuldades que chegaram a colocar em causa a continuidade da formação.

Em Vilankulo, Flávio Fulete recebeu o diploma de licenciatura em Produção Agrícola, depois de um percurso em que, por momentos, chegou a pensar em desistir. O apoio dos docentes e da família, reconheceu, foi determinante para concluir a formação. “Agradeço o apoio dos docentes e dos meus pais”, disse, emocionado.

Na mesma cerimónia, Ginísio Nhampossa celebrou a conclusão da licenciatura em Economia Agrária. A sua condição física não o impediu de enfrentar as exigências da formação, embora reconheça ter sentido alguma desconfiança no início do curso. “Sofri um pouco de estigma inicialmente e tive que me adaptar. Mas, logo, ficou superado e, hoje, sinto que fiz família na ESUDER. Todos gostam de mim”, contou.

Os 141 profissionais formados pela ESUDER deixam a Escola com preparação em áreas ligadas à agricultura, agro-processamento, extensão rural, engenharia rural e produção animal, agrícola e pesqueira, entre outras.

O Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, lembrou que essas áreas estão directamente relacionadas com problemas que afectam as comunidades, da produção de alimentos à gestão dos recursos naturais.

“Formar para o desenvolvimento rural é, em última análise, contribuir para o desenvolvimento de Moçambique”, afirmou.

57 novos profissionais para hotelaria e turismo em Inhambane

Dois dias depois, a celebração transferiu-se para a ESHTI, onde foram graduados 57 técnicos superiores, dos quais 33 mulheres e 24 homens.

Em representação dos colegas, Kenny Magege resumiu a formação como uma caminhada que ultrapassou a aprendizagem dos conteúdos académicos. “Celebramos sonhos que resistiram ao tempo e que, hoje, começam a ganhar forma”, afirmou, recordando que houve momentos em que prosseguir pareceu difícil, mas em que prevaleceram a resistência e a vontade de continuar.

A Secretária de Estado na Província de Inhambane, Arsénia Felicidade Massingue, advertiu os recém-graduados de que a conclusão da formação não significa ingresso automático no emprego formal, incentivando-os a procurar outras formas de inserção profissional e criação de oportunidades.

Ao mesmo tempo, desafiou a ESHTI a reforçar a intervenção nas comunidades, nomeadamente através de cursos de curta duração em restauração e bar, guia de turismo, gastronomia e relações públicas, bem como de actividades de extensão e eventos culturais.

A Escola, que já formou 1.624 profissionais ao longo de mais de duas décadas, deverá introduzir, a partir do próximo ano, o Mestrado em Turismo e Desenvolvimento Local Sustentável.

Chibuto fecha ciclo com 75 graduados

A terceira cerimónia realizou-se em Chibuto, onde a ESNEC graduou 75 técnicos superiores em Agricultura Comercial, Agronegócios, Finanças, Gestão Comercial, Gestão de Empresas, e Administração Pública.

Em nome dos graduados, Shelcia Bisa agradeceu a formação recebida e destacou a responsabilidade que acompanha a obtenção do diploma. Segundo afirmou, a ESNEC não os preparou apenas para o exercício profissional, mas também para assumirem responsabilidades como cidadãos.“Ao Estado moçambicano, agradecemos pelo investimento na educação, que continua a transformar vidas e a construir o desenvolvimento do país”, disse.

Entre os rostos da cerimónia esteve, também, Stélio Francisco, natural do distrito de Zavala, distinguido como melhor estudante. A sua história começou antes mesmo de entrar na ESNEC: tentou ingressar no ensino superior duas vezes sem sucesso e só à terceira conseguiu uma vaga para frequentar a Licenciatura em Finanças, que era a sua primeira opção.

Quatro anos depois, recebeu o diploma e a distinção de melhor estudante. O próximo objectivo é prosseguir os estudos e especializar-se em análise financeira.

A Directora Provincial dos Assuntos Sociais de Gaza, Seana Daúd, disse esperar que os novos técnicos superiores utilizem as competências adquiridas para encontrar respostas aos desafios das comunidades, actuando com criatividade, profissionalismo, humildade e paciência.

Três escolas, diferentes áreas, o mesmo desafio

As três cerimónias encerram percursos académicos distintos, mas colocam os novos profissionais perante uma questão comum: como converter a formação recebida em respostas às necessidades do país.

Na ESUDER, esse desafio passa, sobretudo, pela produção agrícola, segurança alimentar, agro-processamento e desenvolvimento rural. Na ESHTI, pela qualificação e desenvolvimento sustentável da hotelaria e do turismo. Na ESNEC, pela gestão, agricultura comercial, agronegócios, finanças e empreendedorismo.

Para Flávio Fulete, Ginísio Nhampossa, Kenny Magege, Shelcia Bisa, Stélio Francisco e os restantes colegas, o diploma encerra anos de formação, mas inaugura uma etapa em que os resultados passarão a ser medidos também pela capacidade de aplicar o conhecimento adquirido.