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Universidade Eduardo Mondlane

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Produção Intensiva De Hortícolas: ESNEC inaugura estufas  

A Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto (ESNEC) passou a dispor de duas estufas para produção de hortícolas, através dos sistemas hidropónico e semi-hidropónico. As infra-estruturas, inauguradas esta Sexta-feira (29/08), deverão aumentar a capacidade de produção da Escola, abastecer o mercado local e gerar receitas para apoiar o seu funcionamento.

Uma das estufas tem capacidade para produzir cerca de 1.700 plantas de alface a cada 30 dias, enquanto a segunda, destinada ao cultivo de tomate, pepino e pimenta, foi dimensionada para uma produção de pelo menos uma tonelada de tomate e pepino.

A entrada em funcionamento das duas unidades integra a estratégia da ESNEC de desenvolver actividades produtivas a partir das áreas de formação existentes na Escola. A produção é assegurada com a participação de estudantes do curso de Agricultura Comercial, acompanhados por docentes.

As estufas foram inauguradas pelo Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, durante uma visita à ESNEC. Na ocasião, a comitiva percorreu as áreas de produção para conhecer os sistemas instalados, os primeiros resultados e as actividades desenvolvidas pelos estudantes.

Alface pronta em 30 dias

Na hidroponia, as plantas são cultivadas sem recurso ao solo e recebem os nutrientes, através da água. O sistema instalado na ESNEC dispõe de um reservatório com capacidade para mil litros, onde são preparadas as soluções utilizadas na alimentação das plantas.

A água circula entre o reservatório e as linhas de cultivo de forma programada. O processo inclui o controlo do pH e da condutividade eléctrica, permitindo acompanhar a acidez da água e a concentração dos nutrientes.

Com este sistema, o ciclo de produção de alface pode ser reduzido de cerca de 60 dias, em campo aberto, para aproximadamente 30 dias na estufa.

A estrutura dispõe ainda de uma rede de protecção para atenuar a incidência das temperaturas elevadas. Segundo António Mendes, investigador responsável pela estufa, este mecanismo permite criar melhores condições para o desenvolvimento das plantas, sobretudo nos períodos de maior calor.

Cinco estudantes do 2.º e 4.º anos de Agricultura Comercial estão envolvidos na produção de alface e asseguram, em regime de turnos, o acompanhamento das plantas.

Suneila Sitoe, estudante do 4.º ano, considera que a actividade lhe permite aplicar conhecimentos adquiridos durante o curso e perceber as possibilidades comerciais deste tipo de produção. “Estamos a cultivar alface orgânico sem pulverização. Tenho pensado iniciar um negócio próprio após a formação”, disse.

Tomate, pepino e pimenta na segunda estufa

A estufa semi-hidropónica destina-se ao cultivo de tomate, pepino e pimenta. Diferentemente da hidroponia, este sistema utiliza um substrato para sustentar as plantas, combinado com o fornecimento controlado de água e nutrientes.

A unidade foi dimensionada para produzir pelo menos uma tonelada de tomate e pepino. No caso do tomate, a previsão é reduzir o ciclo de produção dos mais de 90 dias registados no cultivo convencional para cerca de 60 dias.

Também nesta estufa, trabalham cinco estudantes de Agricultura Comercial, distribuídos por turnos e acompanhados por docentes. Um deles é Rudes Abílio Oliveira, do 4.º ano, que destaca a possibilidade de acompanhar directamente as diferentes fases da produção e relacionar os conteúdos estudados com situações que poderá encontrar depois da formação.

ESNEC aposta também na produção de frangos

A produção de alimentos na Escola inclui ainda um aviário que alberga, actualmente, 500 frangos. A intenção é aumentar, gradualmente, a quantidade de aves e comercializar a produção no mercado local.

Cinco estudantes participam na criação, acompanhando a alimentação, o crescimento e as condições sanitárias das aves.

Mariamo Gregório, uma das estudantes envolvidas, explicou que os cuidados começam logo após a chegada dos pintos, com alimentação ajustada às diferentes fases de crescimento, administração de vitaminas e controlo da temperatura do aviário.

No dia da visita, os frangos tinham 24 dias. A comercialização está prevista para 3 de Setembro.

Produção integrada na formação

A ESNEC pretende usar as estufas e o aviário simultaneamente, para fins de ensino e produção comercial. A participação dos estudantes permite que actividades como cultivo, maneio, controlo de qualidade e acompanhamento da produção façam parte da aprendizagem.

A componente comercial deverá, por sua vez, assegurar o escoamento dos produtos e proporcionar receitas à Escola.

A capacidade instalada – cerca de 1.700 plantas de alface por ciclo, pelo menos uma tonelada de tomate e pepino e, nesta fase, 500 frangos – permite à ESNEC ensaiar um modelo de produção associado às suas áreas de formação.

A Escola prevê ampliar, gradualmente, as quantidades produzidas e a comercialização, procurando fazer destas actividades uma fonte regular de receitas e, ao mesmo tempo, assegurar aos estudantes experiência directa na produção e gestão de empreendimentos agrícolas.