
Processamento De Frangos Em Maputo: CBUEM constrói infraestrutura no Mercado do Povo
Uma pesquisa realizada entre 2018 e 2022 (Projecto ChEEP ChEEP) pelo Centro de Biotecnologia da Universidade Eduardo Mondlane (CB-UEM) identificou os mercados informais da cidade de Maputo como pontos críticos de contaminação bacteriana em frangos, representando sérios riscos para a saúde pública.
Em resposta aos resultados do estudo, o CB-UEM está a implementar um projecto de pesquisa que prevê intervenções no Mercado do Povo, que contempla a construção de uma infraestrutura moderna destinada a melhorar as condições de abate, processamento e comercialização de frango naquele espaço.
O projecto “Desenvolvendo, testando e quantificando os impactos na saúde, de uma intervenção higiénica em frangos nos mercados informais” é uma colaboração com o Instituto Nacional de Saúde, Universidade de Emory (EUA) e Universidade de Washington (EUA).
Após a conclusão das obras, serão recolhidas novas amostras de frango para avaliar o impacto da intervenção na redução da contaminação bacteriana.
Na fase inicial da investigação, foram recolhidas amostras de carcaças de frango, da água utilizada no processamento e das mãos dos vendedores, permitindo determinar os níveis de contaminação e identificar os principais focos de risco.
A intervenção em curso inclui o reforço do acesso à água, acções de educação sanitária e a reorganização do espaço de trabalho, com a separação de áreas específicas para o processamento e a criação de uma zona exclusiva para a comercialização de caraças de frango, considerada área limpa.
Orçada em cerca de 5 milhões de meticais, a nova infraestrutura contará com reservatório de água, sistema de drenagem de águas residuais, área de processamento e espaço dedicado exclusivamente à venda.
O edifício terá capacidade para 34 bancas, será pavimentado, coberto com estrutura metálica e incluirá cinco pontos de lavagem, garantindo melhores condições de higienização.
Vendedores serão reintegrados sem custos
De acordo com o investigador do CBUEM e docente da Faculdade de Veterinária, coordenador do projecto, Doutor Hermógenes Mucache, os vendedores que anteriormente operavam no local serão reintegrados após a conclusão das obras, sem qualquer custo adicional.
“Os mesmos vendedores voltarão a ocupar as suas bancas, agora melhoradas, e não terão de pagar qualquer valor”, assegurou.
Segundo o investigador, a concepção da infraestrutura resultou de um processo participativo que envolveu o Conselho Municipal da Cidade de Maputo e os próprios vendedores. “Não se tratou de uma imposição. Realizámos encontros regulares com as autoridades e com os vendedores”, destacou.
Após a conclusão das obras, o projecto prevê novas fases de monitoria, incluindo a recolha e análise de amostras para avaliar a qualidade sanitária do frango comercializado.
Melhoria de toda a cadeia de processamento
O estudo aponta que práticas inadequadas no abate, processamento e venda, associadas à escassez de água e a condições sanitárias precárias, contribuem significativamente para a contaminação bacteriana.
A nova infraestrutura pretende, assim, melhorar todas as etapas da cadeia de processamento e comercialização.
Moçambique ocupa, actualmente, a segunda posição na África Austral em produção de frango, com cerca de 147 mil toneladas anuais.
O projecto é implementado em parceria com o Instituto Nacional de Saúde e a Universidade de Washington, dos Estados Unidos da América, reforçando a componente científica e técnica da intervenção.
