
“O jornalismo continua a ser pilar essencial da democracia”
– afirma o académico Hélder Jauana
O sociólogo e comentador político Hélder Jauana defende que o jornalismo continua a ser um pilar essencial para o fortalecimento da democracia moçambicana. No entanto, num contexto dominado por formas alternativas de comunicação, este pilar enfrenta vários desafios, nomeadamente a crise de confiança, a pressão económica que compromete a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social, a influência de grandes capitais que procuram controlar narrativas e a crescente competição com a desinformação.
Falando durante um debate realizado na Escola de Comunicação e Artes (ECA), no âmbito da celebração dos 100 anos do jornal “Notícias”, o académico disse que este órgão deve posicionar-se como guardião da verdade, afirmando-se como uma referência de credibilidade através da verificação rigorosa e apuração dos factos, bem como da clara distinção entre notícia e opinião.
“No tempo do ruído, o “Notícias” deve informar com isenção e clareza. Deve ser uma plataforma de coesão nacional num país marcado pela polarização e pela tensão social”, afirmou.
De acordo com o orador, o mais antigo e maior diário do país deve assumir o papel de unir os moçambicanos em contextos de adversidade, dando voz a todas as regiões, do norte ao sul do país, evitando narrativas que promovam divisões e priorizando o interesse nacional acima de agendas fragmentadas.
Jauana acrescentou que o “Notícias” deve constituir-se como um espaço de debate responsável, contribuindo para a requalificação do debate público, promovendo o pluralismo e combatendo o extremismo discursivo. Defendeu ainda que o jornal deve apostar na educação da sociedade, não apenas noticiando os factos, mas também contextualizando-os para uma melhor compreensão por parte dos cidadãos.
O académico sublinhou igualmente a importância da promoção da literacia mediática, defendendo que o “Notícias” deve atuar como agente de desenvolvimento, dando visibilidade a boas práticas e apresentando soluções, e não apenas problemas.
Por fim, alertou que a democracia não morre apenas através de golpes de Estado, podendo também enfraquecer gradualmente devido à ilusão da verdade. “Quando a verdade perde relevância, o debate perde qualidade e a sociedade fica sem rumo. Por isso, o papel do “Notícias” é promover a coesão social, atuar como educador cívico e afirmar-se como pilar da democracia”, destacou.
“Sem jornalismo credível pode haver informação, mas não democracia”, concluiu.
