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“A Inteligência Artificial não substitui o jornalista”

– defende o investigador português João Canavilhas

Num contexto de crescente incorporação da inteligência artificial nas redacções, o investigador João Canavilhas defendeu, na Escola de Comunicação e Artes (ECA), que o jornalismo continua dependente de competências humanas insubstituíveis, como a ética, a criatividade e a capacidade crítica.

Canavilhas proferiu, nesta Quarta-feira, na UEM, uma palestra subordinada ao tema “Jornalismo e Inteligência Artificial”, um evento que serviu para a partilha de conhecimentos sobre os desafios e limitações das novas tecnologias na produção de conteúdos jornalísticos.

A sessão contou com a participação de estudantes e docentes e teve como orador principal o Professor Doutor João Canavilhas, investigador da Universidade da Beira Interior, Portugal. Na sua intervenção, o académico defendeu que o jornalista mantém vantagens no processo de elaboração de notícias em relação à inteligência artificial, destacando qualidades humanas como a criatividade e a empatia.

Segundo o orador, a inteligência artificial não cria conteúdos verdadeiramente novos, limitando-se a recriar informação a partir de padrões previamente existentes. “Os dados recolhidos e processados por meios tecnológicos devem ser sempre monitorados por humanos. Um dos princípios do jornalismo é a protecção das fontes, e os programadores informáticos não estão, necessariamente, vinculados a códigos deontológicos que garantam esse princípio”, explicou.

Canavilhas sublinhou, ainda, que o jornalismo, enquanto área científica e profissional, assenta num conjunto de teorias e procedimentos que asseguram a credibilidade e a relevância social da informação produzida.

Entre outras limitações da inteligência artificial, o académico apontou o uso recorrente de linguagens e estruturas repetitivas, bem como dificuldades de adaptação a determinados contextos temáticos. Para o investigador, estes factores demonstram que a inteligência artificial não pode substituir o trabalho do jornalista.

Apesar disso, reconheceu que a inteligência artificial pode desempenhar um papel complementar importante, ao permitir, por exemplo, a adaptação de conteúdos aos diferentes públicos, a automatização de tarefas rotineiras e o tratamento rápido e eficiente de dados.