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ECA leva debate sobre preservação da Timbila ao M’saho de Zavala

A Escola de Comunicação e Artes (ECA) participou no Festival de Timbila – M’saho de Zavala 2026, realizado recentemente no distrito de Zavala, província de Inhambane, através do docente, investigador e coordenador do projecto ECAfroRitMoz, Mestre Hélio Bernardo Mavanga, que defendeu o reforço da transmissão da Timbila Chope entre mestres, crianças e jovens como uma das principais medidas para garantir a continuidade deste património cultural.

Mavanga apresentou uma comunicação subordinada ao tema “A Timbila Chope (Copi) como Património Vivo: Desafios Históricos, Sociais e Estratégias de Preservação Contemporâneas”, na qual abordou questões relacionadas com a história, transmissão e preservação desta importante manifestação cultural moçambicana, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Na sua intervenção, o investigador apontou os movimentos migratórios associados ao trabalho mineiro na África do Sul e às plantações do Natal, na África do Sul, como alguns dos factores históricos que afectaram a continuidade da transmissão da Timbila entre gerações. Segundo a análise apresentada, a saída de jovens e adultos das comunidades interrompeu, em parte, o processo tradicional de transmissão que ligava mestres, aprendizes e futuros mestres.

Actualmente, a Timbila enfrenta também desafios relacionados com a urbanização, o envelhecimento dos mestres, o surgimento de novas formas de entretenimento, a dificuldade de acesso às matérias-primas e os custos de manutenção dos grupos tradicionais.

Perante artistas, mestres, líderes comunitários, investigadores e estudantes, Mavanga defendeu que a preservação da Timbila deve ir além da conservação dos instrumentos, devendo garantir a sua prática e transmissão contínuas nas comunidades.

Entre as medidas propostas estão a formação de crianças e jovens junto dos mestres, a documentação das técnicas tradicionais de construção, a valorização e remuneração dos detentores do saber, a introdução da Timbila no ensino formal e o fortalecimento do M’saho enquanto espaço de transmissão cultural.

A participação da ECA permitiu, igualmente, apresentar o trabalho do ECAfroRitMoz, laboratório de investigação de instrumentos musicais tradicionais de Moçambique, que desenvolve actividades nas áreas de pesquisa, construção, restauro, execução e exposição.

No âmbito do laboratório foram ainda destacados os projectos musicais NdzutAfro e PanDJazZ, orientados para a valorização dos instrumentos e sonoridades tradicionais moçambicanos e para o diálogo entre a tradição e linguagens musicais contemporâneas.

A intervenção do Mestre Mavanga foi acompanhada por líderes comunitários, investigadores, estudantes do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) e alunos de escolas primárias de Zavala, reforçando a importância da ligação entre a universidade e as comunidades na salvaguarda do património cultural moçambicano.