
Uso inadequado de antimicrobianos agrava mortalidade animal
– Alerta Prof. Doutor Cristiano Macuamule
As infecções causadas por microrganismos resistentes aos antimicrobianos têm contribuído para o aumento da mortalidade animal e dificultado o tratamento de doenças, provocando perdas de produtividade, aumento dos custos veterinários e redução da rentabilidade dos produtores.
O alerta foi lançado pelo investigador Prof. Doutor Cristiano Macuamule, durante a apresentação do tema “Resistência Antimicrobiana: Desafios e Inovações para a Saúde Pública, Segurança Alimentar e Desenvolvimento Sustentável”, por ocasião das XIX Jornadas Científicas Estudantis da Faculdade de Veterinária (FAVET) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Segundo o investigador, a resistência antimicrobiana tem implicações directas na produção animal e nos custos de produção, podendo comprometer a disponibilidade e a acessibilidade económica dos alimentos.
Resistência antimicrobiana ameaça segurança alimentar e rendimento das famílias
No domínio do desenvolvimento sustentável, Macuamule destacou o impacto da resistência antimicrobiana nos rendimentos dos produtores e nos seus meios de subsistência, agravando a vulnerabilidade das famílias com menor capacidade financeira para suportar perdas e custos adicionais.
Neste contexto, defendeu a necessidade de conciliar a produção alimentar com o uso responsável de antimicrobianos e a protecção do ambiente.
O orador salientou que a resistência antimicrobiana constitui um problema multissectorial, que envolve a saúde humana, a saúde animal, os alimentos e o ambiente.
Diagnóstico tardio e uso excessivo de medicamentos dificultam combate à resistência
Entre os principais desafios, Macuamule apontou o diagnóstico microbiológico tardio e as limitações na identificação dos mecanismos de resistência, factores que podem conduzir à utilização de tratamentos empíricos inadequados e dificultar a optimização terapêutica.
Destacou, igualmente, o uso excessivo ou inadequado de antimicrobianos, sem orientação apropriada, associado ao acesso insuficiente a tratamentos eficazes.
A estes constrangimentos juntam-se a escassez de dados actualizados e comparáveis, as lacunas de conhecimento sobre a resistência antimicrobiana e os resíduos destes medicamentos em animais, alimentos e no ambiente, bem como a fraca integração dos sistemas de vigilância e a insuficiente partilha de informação entre os diferentes sectores.
UEM defende investigação científica orientada para soluções concretas
Na sessão de abertura, a Vice-Reitora Académica da UEM, Prof.ª Doutora Amália Uamusse, afirmou que as jornadas científicas promovem a iniciação científica, estimulam a curiosidade intelectual e contribuem para a formação de estudantes capazes de formular questões relevantes, seleccionar métodos adequados, analisar evidências e comunicar conclusões com clareza e responsabilidade.
A dirigente sublinhou que a transição da UEM para uma Universidade de Investigação não depende apenas do aumento da produção científica, exigindo, igualmente, uma cultura institucional que valorize a investigação desde a formação inicial, promova a colaboração entre docentes e estudantes, incentive a multidisciplinaridade e reforce a ética e a integridade académica.
Defendeu, ainda, a criação de condições para que os resultados científicos sejam divulgados, aproveitados e, sempre que possível, transformados em inovações e soluções úteis para as comunidades.
Para a Vice-Reitora, ao investigar questões relacionadas com a saúde animal, a produção pecuária, a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas de produção, a FAVET contribui para prioridades que ultrapassam o domínio estritamente académico.
O conhecimento científico produzido, acrescentou, pode apoiar a tomada de decisões, fortalecer os serviços veterinários e melhorar as práticas de prevenção, com benefícios directos para os produtores e para a sociedade.
As XIX Jornadas Científicas Estudantis da FAVET decorreram sob o lema “Ciência e inovação em prol da saúde pública, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável”.
