Universidade Eduardo Mondlane

Search
Logo-UEM-A3-01

UEM inaugura Sala Ruth First em homenagem à histórica activista sul-africana

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) inaugurou, esta Sexta-feira (08/05), a Sala Ruth First, instalada no Centro de Estudos Africanos (CEA), numa iniciativa que visa preservar, valorizar e perpetuar a vida e obra desta cientista social, activista e jornalista sul-africana que se destacou na luta contra a discriminação racial e o regime do apartheid.
O projecto de criação da Sala Ruth First, desenvolvido pelo CEA em parceria com o Freedom Park, consistiu na transformação do escritório número 62 do CEA, onde a activista sul-africana trabalhou como directora de investigação durante cinco anos e foi assassinada no mesmo espaço, através de uma carta-bomba.

Segundo o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, a inauguração deste espaço memorial enquadra-se também no conjunto de eventos que visam assinalar os 50 anos da atribuição do nome “Eduardo Mondlane” a esta instituição de ensino superior.
“Trata-se da institucionalização do nosso reconhecimento em relação ao legado de Ruth First que, a nível internacional, conta com várias iniciativas, entre as quais se destacam a Ruth First Foundation, Ruth First Papers e Ruth First Scholarship, bem como várias praças, ruas e avenidas em sua memória”, disse.
Explicou que a Sala irá atrair, influenciar e inspirar estudantes, docentes, pesquisadores e o público em geral, com destaque para as camadas mais jovens. “Vem lembrar-nos da importância do conhecimento da nossa história colectiva na promoção das nossas relações enquanto Estados, povos e nações.”
O Reitor alertou que a Universidade deve reconhecer que as sociedades enfrentam, hoje, o grande desafio da desinformação e do boato que, muitas vezes, conduzem à violência, à discriminação e à violação dos direitos e liberdades conquistados como resultado de várias lutas, como a de Ruth First.
“É nosso desejo que a Sala represente essa necessidade de união dos nossos povos, do aprofundamento dos problemas que as sociedades enfrentam e do estudo meticuloso das questões do dia-a-dia, para que possamos tomar decisões informadas e adequadas à nossa realidade”, acrescentou.
Por sua vez, a Ministra da Educação e Cultura, Prof. Doutora Samaria Tovela, afirmou que Ruth First foi uma das mais legítimas representantes das equipas de investigadores que passaram pelo Centro de Estudos Africanos da UEM e deixaram um legado que, hoje, somos chamados a consolidar, valorizar e colocar permanentemente ao serviço das comunidades.
“A Sala Ruth First, que hoje inauguramos, sintetiza, ao mesmo tempo, o papel da Universidade na luta pela promoção das liberdades e dos direitos humanos, fundada no conhecimento profundo das realidades sociais e no reconhecimento das suas diversidades e complexidades”, disse.
Destacou que a Sala constitui um espaço de grande valor histórico, científico e cultural para os povos da região. “Ela mostra os percursos da nossa luta colectiva pela erradicação dos regimes segregacionistas e minoritários na região. Esta Sala também nos ensina sobre a importância da solidariedade entre os nossos povos, visando o alcance do desenvolvimento sustentável”.
Para a representante do Governo sul-africano, Peace Mabe, Ruth First foi uma brilhante investigadora, jornalista, esposa e mãe. “Ao renovar este espaço e chamá-lo de Sala Ruth First, estamos a certificar-nos de que o lugar se transformou numa fonte de conhecimento e de inspiração para as futuras gerações.”
Alertou que o espaço não deve tornar-se num arquivo, mas sim num local vibrante, onde pesquisadores africanos e estudantes se juntem para discutir os desafios contemporâneos.
Na mesma ocasião, a representante do Freedom Park, Barbara Watson, disse que Ruth First foi assassinada de forma brutal pelo regime do apartheid e, desta forma, espera que a Sala incentive e amplifique vozes que possam exaltar a vida e obra da activista.