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Universidade Eduardo Mondlane

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UEM atribui o nome de Manuela Soeiro ao Mini-Teatro da ECA

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) atribuiu, hoje, 20 de Outubro, o nome de Manuela Soeiro ao Mini-Teatro da Escola de Comunicação e Artes (ECA), em homenagem a uma das grandes figuras do teatro moçambicano. A sala passa a designar-se Mini-Teatro Manuela Soeiro. A iniciativa reconhece o contributo da actriz e realizadora para a afirmação e o desenvolvimento das artes cénicas no país.
A homenagem constitui um reconhecimento institucional do percurso artístico de Manuela Soeiro e do seu contributo para a afirmação, a valorização e o desenvolvimento do teatro em Moçambique. A sua trajectória representa uma referência na história das artes cénicas nacionais, pelo papel que desempenhou na promoção da criação teatral e na valorização da cultura moçambicana.
A iniciativa assume um significado particular para a formação de novas gerações de artistas, estudantes e investigadores. A partir de agora, o nome de Manuela Soeiro ficará associado a um espaço académico dedicado à aprendizagem, à experimentação, à criação e à reflexão sobre o teatro e o seu papel na sociedade.
Na presença de diversas individualidades ligadas às artes e à cultura no país, o Reitor da UEM, a Secretária de Estado das Artes e Cultura e a homenageada descerraram a placa que eterniza o nome de uma das maiores figuras do teatro moçambicano.
Após o descerramento da placa, foi apresentada a peça teatral Os Meninos de Ninguém, da autoria de Manuela Soeiro, levada à cena pela companhia de teatro Mutumbela Gogo. A obra retrata a vida dos meninos de rua na cidade de Maputo, na década de 1980.
Na sua intervenção, a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, enalteceu a iniciativa da Universidade Eduardo Mondlane de reconhecer uma das maiores figuras das artes moçambicanas, atribuindo o seu nome ao Mini-Teatro da Escola de Comunicação e Artes. A governante considerou que o gesto transcende o protocolo académico, constituindo uma demonstração de nobreza e humildade.
Segundo Muocha, ao tomar esta decisão, a UEM não se limita a honrar e homenagear Manuela Soeiro, mas estabelece um legado vivo, criando um espaço onde as gerações presentes e futuras de artistas poderão formar-se e inspirar-se no exemplo de quem as antecedeu.
“É a afirmação de que as nossas referências culturais não vivem apenas nos livros, mas nos espaços que habitamos, nas instituições que frequentamos e nos nomes que escolhemos para as marcar”, frisou.
A governante acrescentou que a UEM, na qualidade de maior e mais antiga universidade do país, tem a responsabilidade singular de liderar pelo exemplo na construção de uma identidade académica e cultural verdadeiramente moçambicana.
“Hoje, esta cerimónia comprova que essa responsabilidade está em boas mãos”, concluiu.
Por sua vez, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, explicou que a atribuição do nome de Manuela Soeiro ao Mini-Teatro representa mais do que uma homenagem: é um compromisso de não deixar o seu legado cair no esquecimento e de formar jovens capazes de pensar, criar e questionar, tal como a homenageada sempre fez.
“O espaço agora tem nome, mas, mais do que isso, tem alma, a alma da Mamã-Teatro. Que cada ensaio, cada peça, cada aplauso aqui vivido carregue um pouco da coragem e da sensibilidade da Mamã Manuela”, afirmou.
O Reitor recordou que, a 1 de Maio de 1976, o Presidente Samora Moisés Machel atribuiu à instituição o nome de Universidade Eduardo Mondlane, deixando uma orientação que permanece como princípio fundamental da sua missão: “A universidade é que vai ao povo”.
Segundo Manuel Guilherme Júnior, esta orientação continua actual, uma vez que uma universidade comprometida com a sociedade deve também reconhecer, valorizar e investigar os saberes, as experiências e os patrimónios produzidos pelo seu povo.
O Reitor fez ainda saber que muitos docentes da UEM, sobretudo os ligados ao curso de Licenciatura em Teatro, aprenderam com a homenageada.
“O curso de Licenciatura em Teatro que hoje existe deve muito à sua persistência e contribuição. O seu acervo, no Museu Sabura, continua a alimentar a curiosidade, a investigação e o pensamento crítico dos nossos estudantes”, afirmou.
Num discurso breve e emotivo, Manuela Soeiro recordou os longos anos da sua carreira e agradeceu à Universidade Eduardo Mondlane pelo reconhecimento. A homenageada não deixou, contudo, de salientar que a concretização do seu percurso também foi possível graças ao apoio de diversas pessoas e instituições que acreditaram na sua visão e no seu projecto.
O evento reuniu figuras do teatro e da cultura moçambicana, colegas e familiares da homenageada, com destaque para a presença da filha e do irmão de Manuela Soeiro.