
Transição Energética Em Moçambique: UEM e ADENE formam estudantes
Programa“Rota da Energia em Moçambiqueˮcapacita jovens para promover eficiência energética e sustentabilidade nas escolas e comunidades
Vinte estudantes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) participaram, de 21 a 23 de Julho, numa formação intensiva em literacia energética e transição energética, uma iniciativa que pretende criar uma nova geração de embaixadores da eficiência energética e da sustentabilidade em Moçambique. Integrada na primeira edição do Programa “Rota da Energia em Moçambiqueˮ, a formação irá preparar os participantes para disseminarem conhecimentos sobre energia, alterações climáticas e consumo sustentável junto das escolas e comunidades.
Promovida pela Faculdade de Ciências da UEM, em parceria com a ADENE (Agência para a Energia), de Portugal, a iniciativa reforça a cooperação entre as duas instituições e enquadra-se nos esforços para promover uma cultura de utilização responsável da energia, contribuindo para a transição energética e para o desenvolvimento sustentável do país.
Ao longo de três dias, estudantes das Faculdades de Ciências, Engenharia e Educação aprofundaram conhecimentos sobre eficiência energética, energias renováveis, mobilidade sustentável, eficiência hídrica e mitigação das alterações climáticas. A componente prática do programa prevê que, após a formação, os participantes realizem sessões de sensibilização em escolas secundárias, assumindo o papel de multiplicadores de boas práticas e aproximando o conhecimento científico da sociedade.
Na sessão de abertura, subordinada ao tema “ADENE – Agência para a Energia: da Missão à Acção – Projectos e Contributos para a Transição Energética”, o representante da ADENE, Doutor Pedro Mateus, destacou que o Programa “Rota da Energia em Moçambique” pretende promover uma verdadeira cultura de literacia energética, através de acções de formação presenciais e à distância, dirigidas a estudantes, docentes, empresas e munícipes. “A formação abrange as áreas de certificação e eficiência energética dos edifícios, eficiência energética na indústria, energias renováveis, mobilidade eficiente, eficiência hídrica e formação à medida”, enfatizou.
O especialista explicou que a ADENE tem desenvolvido, ao longo dos anos, projectos de interesse público que articulam políticas energéticas, ambientais e de sustentabilidade, apoiando governos, empresas e cidadãos na adopção de soluções inovadoras e eficientes.
Acrescentou que a actuação da instituição assenta em pilares como o apoio técnico às políticas públicas, a qualificação profissional, a sensibilização dos cidadãos, a cooperação internacional e o fortalecimento das capacidades institucionais, permitindo responder aos desafios de uma economia cada vez mais orientada para a descarbonização e a utilização racional dos recursos naturais.
Na ocasião, o Director da Faculdade de Ciências, Prof. Doutor Daúd Jamal, sublinhou que o programa representa uma oportunidade para fortalecer as competências técnicas dos estudantes e aproximar a investigação científica das necessidades concretas da sociedade moçambicana. “Esperamos, em conjunto com os parceiros da ADENE, conceber e implementar projectos que contribuam para responder às necessidades energéticas de Moçambiqueˮ, afirmou.
Para o académico, a formação demonstra que a Universidade deve assumir um papel activo na produção de conhecimento aplicado e na preparação de profissionais capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.
Estudantes comprometem-se a levar o conhecimento às comunidades
Para os participantes, a formação alterou a forma de compreender o conceito de energia, evidenciando que este vai muito além da produção e distribuição de electricidade.
A estudante de Meteorologia Eulália Rodrigues afirmou que a formação permitiu conhecer as diferentes fontes de energia e perceber como profissionais de diversas áreas podem contribuir para a transição energética. “Conhecíamos alguns conceitos básicos sobre energia, principalmente a energia eléctrica, mas, nesta formação, aprendemos de onde vêm as diferentes fontes de energia, como são desenvolvidas e de que forma podem ser utilizadas. Isso trouxe-me uma bagagem muito grande de conhecimento”, afirmou.
Segundo a estudante, outro dos ensinamentos marcantes foi compreender que a área da energia é transversal a diferentes profissões e sectores da sociedade. “Foi novo perceber que um advogado pode trabalhar em questões de energia, um meteorologista pode relacionar a meteorologia com a energia e profissionais de diferentes áreas podem contribuir para a transição energética. São ensinamentos fundamentais para a minha formação académica e para a vida”, explicou.
Na mesma linha, o estudante de Física, Edilson Elias, considerou que a educação constitui um dos instrumentos mais eficazes para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Segundo explicou, a literacia energética deve assumir um papel central na transformação dos hábitos da sociedade. “O uso da literacia como promotor primordial para mitigar a dependência da produção de energias por caminhos fósseis foi um dos principais temas abordados nesta formação”, explicou.
Para Elias, o investimento na educação das novas gerações representa a estratégia mais eficaz para assegurar um futuro sustentável. “Se começarmos, agora, a incluir conhecimentos sobre tecnologias verdes para os mais jovens, estaremos a garantir que as próximas gerações terão bases sólidas para viver com menor dependência dos combustíveis fósseis”, disse.