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Universidade Eduardo Mondlane

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“Quando a universidade fala apenas para si própria, a política decide sem ela”, alerta Orlando Quilambo

Antigo Reitor da UEM apela a um novo modelo de ensino superior orientado para soluções, inovação e desenvolvimento local

As universidades devem deixar de medir o seu sucesso apenas pelo número de artigos publicados e passar a valorizar o conhecimento que produz impacto na sociedade, influencia políticas públicas, impulsiona a inovação e contribui para o desenvolvimento económico e social do país.

A posição foi defendida pelo antigo Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Prof. Doutor Orlando Quilambo, durante a palestra “Conhecimento Produtivo Promovendo o Desenvolvimento Local”, realizada no âmbito da Conferência Nacional do Ensino Superior, promovida pelo Ministério da Educação e Cultura.

Na ocasião, Quilambo alertou que o conhecimento científico só cumpre plenamente a sua missão quando ultrapassa os limites da academia e se transforma em soluções concretas para os desafios do país. “Quando a universidade fala apenas para si própria, a política decide sem ela.”

Para o académico, esta mudança exige que as instituições de ensino superior adoptem sistemas de avaliação e incentivos que valorizem não apenas a produção científica, mas também a aplicação do conhecimento na resolução de problemas, na produção de dados de interesse público, na assessoria técnica qualificada e na criação de valor para a sociedade.

Defendeu, igualmente, novos mecanismos de financiamento competitivo que promovam laboratórios vivos, provas de conceito, desafios de inovação, programas de extensão universitária orientados para resultados e a criação de spin-offs académicos capazes de transformar investigação em produtos, serviços e oportunidades de negócio. “Precisamos, igualmente, de observatórios regionais de desenvolvimento, assentes em dados fiáveis, para apoiar províncias e municípios na definição de prioridades, acompanhar resultados e aprender mais rápido”.

Estudantes devem ser produtores de soluções

Orlando Quilambo sustentou que os estudantes devem assumir um papel mais activo na produção de conhecimento, participando, directamente, na identificação e resolução dos problemas que afectam as comunidades.

Segundo explicou, “a literatura participativa, incluindo a investigação-acção participativa com jovens, reforça precisamente esta ideia de que quem vive o problema pode e deve participar na produção da solução”.

O antigo Reitor defendeu ainda uma relação mais estruturada entre universidades e empresas, assente em agendas de investigação e inovação orientadas para sectores estratégicos como a agro-indústria, saúde, transformação digital, energias, indústria extractiva, logística, construção, economia azul, turismo sustentável, serviços urbanos e economia criativa.

Na sua perspectiva, estas parcerias devem ultrapassar a lógica de protocolos formais e traduzir-se em iniciativas capazes de gerar inovação, aumentar a competitividade das empresas, criar emprego qualificado e acelerar o desenvolvimento local.

Quilambo sublinhou, igualmente, que as universidades precisam de reforçar a sua capacidade de comunicar evidências científicas aos decisores públicos.

Recorrendo à experiência do Bangladesh, analisada por Walugembe, explicou que a influência da investigação na formulação de políticas públicas depende da capacidade das instituições de traduzirem o conhecimento científico em propostas claras, manterem diálogo permanente com os decisores e ocuparem espaço nos processos de decisão.

Para o académico, aproximar a ciência das políticas públicas constitui um dos maiores desafios do ensino superior e uma condição essencial para que o conhecimento produzido nas universidades contribua, de forma efectiva, para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.