
Moçambique e Botsuana unidos no agro-processamento de frutas indígenas
Projecto da UEM e da BIUST capacita mulheres em Matutuine e Marracuene
Um projecto implementado por investigadores da Faculdade de Engenharia da UEM está a transformar frutas indígenas em produtos alimentares inovadores, promovendo a segurança alimentar e criando oportunidades económicas em Moçambique e Botsuana.
A iniciativa tem como objectivo fortalecer as comunidades locais, melhorar a segurança alimentar e gerar oportunidades económicas, especialmente para mulheres e jovens.
Denominado “Community Empowerment Through Value Addition and Agroprocessing of Indigenous Fruits”, o projecto é implementado em Moçambique pela Universidade Eduardo Mondlane e, no Botsuana, pela Botswana International University of Science and Technology, e financiado pela ACTS em coordenação com o FNI.
O projecto dedica-se, principalmente, ao desenvolvimento de produtos alimentares à base de frutas indígenas, à capacitação das comunidades em técnicas de processamento e conservação, à promoção da propagação sustentável de espécies frutíferas nativas, bem como ao fortalecimento das cadeias de valor locais e do empreendedorismo rural.
Desde o início da iniciativa, em 2023, já foram desenvolvidos diversos produtos, entre os quais geleias e compotas, gelados à base de frutas indígenas, biscoitos e bolos sem glúten, pasta de amêndoa de canhú e carvão activado produzido a partir de cascas de Strychnos.
De acordo com a coordenadora do projecto, Prof.ª Doutora Maida Khan, a iniciativa centra-se em espécies como Adansonia digitata (malambe), Sclerocarya birrea (morula/canhú), Strychnos spp (massala e macuácua), Vangueria infausta (mapfilwa) e Dialium schlechteri (tintsiva).
Explicou que as actividades envolveram visitas às comunidades de Marracuene e Matutuíne, em Moçambique, e de Molalatau e Lecheng, no Botsuana, com a participação activa de mulheres e jovens. Foram realizadas sessões de formação comunitária sobre processamento de frutas nativas, promovendo a transferência de tecnologia nas comunidades de Matutuine e de Marracuene, além de um workshop de disseminação de resultados e validação de brochuras, que contou com a participação de estudantes e membros das comunidades beneficiárias.
Em Moçambique, o projecto beneficiou mulheres em Matutuine e de 16 associações em Marracuene, que receberam formação em técnicas de extracção de polpa, produção de “jam” [doce] e de rebuçados, produção de pasta de amêndoa de canhú e confecção de produtos tradicionais e inovadores.
No âmbito da iniciativa, também foram desenvolvidos vários trabalhos de licenciatura nas áreas de Engenharia Química e Agronomia, assim como dissertações do Mestrado em Ciências da Nutrição da UEM.
Entre os principais impactos alcançados, destacam-se a disponibilização de produtos alimentares com elevado valor nutricional e sensorial, a aceitação dos produtos pelas comunidades locais, o fortalecimento das competências de mulheres e jovens, bem como a conservação e propagação sustentável de espécies frutíferas nativas.
Foram ainda produzidas brochuras contendo procedimentos para o processamento de diversos produtos, incluindo bolos e biscoitos com farinha de macuácua (nfuma), rebuçados e compotas de mapfilwa e massala, compota de tintsiva, pasta de amêndoa de canhú e técnicas de propagação de plantas nativas.
Na fase final do projecto, estão previstas actividades como a conclusão das análises sensoriais e metodológicas, o escalonamento da produção de alimentos e de plantas propagadas, além da apresentação dos resultados em workshops finais e da divulgação de oportunidades de comercialização e publicações em revistas científicas.
O projecto demonstra como a ciência, a tradição e o empreendedorismo podem unir-se para criar soluções sustentáveis, fortalecer comunidades locais e valorizar a biodiversidade.