
Júlio Langa denuncia persistência do epistemicídio
Por sua vez, o activista social, Júlio Langa, chamou a atenção para a persistência do fenómeno do epistemicídio nos espaços académicos, caracterizado pela desvalorização e invisibilização dos conhecimentos produzidos em África.
Segundo Langa, muitos saberes africanos continuam a ser marginalizados, apesar do seu potencial para responder a desafios concretos enfrentados pelas sociedades do continente. “Existem conhecimentos que fazem parte da nossa cultura e que, se fossem devidamente valorizados e aplicados, poderiam ajudar a resolver muitos dos nossos problemas. Contudo, continua a existir a tendência de marginalizar aquilo que é produzido em África e de depender da validação ocidental”, observou.
O activista defendeu ainda um investimento robusto na preservação e valorização do património cultural africano, considerando-o fundamental para a construção da identidade colectiva e para a forma como os povos se relacionam com os seus recursos e projectam o seu desenvolvimento.
Para Júlio Langa, a valorização da cultura e do conhecimento africano constitui um passo decisivo para fortalecer a soberania intelectual do continente e consolidar modelos de desenvolvimento alinhados com as suas realidades e aspirações.
O colóquio integrou as celebrações do Dia de África, na Universidade Eduardo Mondlane, reunindo académicos, estudantes, artistas e activistas para reflectir sobre os desafios e oportunidades que se colocam à juventude africana num contexto de rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas.