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IV Conferência De Jovens Investigadores Da Cplp: Eldevina Materula defende integração entre ciência e artes

A antiga Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, defendeu a necessidade de construir e valorizar uma identidade cultural sólida, assente na articulação entre ciência e artes, durante a IV Conferência de Jovens Investigadores da CPLP.

Intervindo no painel subordinado ao tema “Fronteira entre a Arte, Cultura e Investigação”, destacou o potencial transformador das abordagens científicas e artísticas no processo criativo cultural, sublinhando que a cultura constitui um elemento central da identidade dos povos e deve ser preservada e dinamizada.

Materula sublinhou a importância da formação contínua nas artes como condição essencial para o fortalecimento dos saberes artísticos. Segundo explicou, o processo criativo exige constante evolução, que pode ser impulsionada pela investigação científica.

Essa articulação, acrescentou, permite gerar produções culturais mais robustas e contribui para o desenvolvimento de conhecimentos interculturais. “Não se trata de cada um reivindicar, para si, a hegemonia do conhecimento – seja europeu, americano ou africano –, mas sim, de os integrar, dando corpo àquilo que chamamos identidade”, afirmou.

A antiga governante defendeu ainda que o fortalecimento da CPLP nos domínios da cultura, arte e investigação depende do reconhecimento do conhecimento como um processo colaborativo, e não competitivo.

Na sua visão, as diferentes culturas devem interagir de forma cíclica, enriquecendo-se mutuamente e contribuindo para a construção de um mosaico diversificado de saberes. “A arte, a cultura e a investigação deixam de ter centros e periferias, dando lugar a uma fronteira de reflexividade, onde saberes de dentro e de fora contribuem para o desenvolvimento”, acrescentou.

Mia Couto destaca dimensão humana da ciência

Na mesma ocasião, o escritor moçambicano, Mia Couto, defendeu que o cientista não deve se dissociar das suas emoções, mas manter um envolvimento crítico e sensível com o conhecimento científico. “Ele precisa entender que é como uma árvore, que produz o seu próprio chão”, afirmou.

Mia Couto sublinhou, ainda, que o debate contemporâneo ultrapassa as formas políticas de interpretação do mundo, centrando-se, cada vez mais, na forma como os seres humanos se compreendem a si próprios no planeta, um processo no qual a arte desempenha um papel fundamental.