Universidade Eduardo Mondlane

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FAVET deixa marca na cidade de Maputo

ENTRE BISTURIS E RESPONSABILIDADE SOCIAL:

A Faculdade de Veterinária da Universidade Eduardo Mondlane (FAVET), em parceria com a World Veterinary Service, realizou uma campanha intensiva de cirurgia animal na cidade de Maputo, combinando formação prática avançada para estudantes finalistas com uma intervenção concreta no controlo da população de animais vadios.

A iniciativa, que decorreu de 09 a 20 de Fevereiro, envolveu 12 estudantes sob supervisão directa de docentes especializados e resultou na realização de 65 intervenções cirúrgicas – 61 em cães e 4 em gatos – provenientes de diferentes comunidades da capital. Para além do impacto formativo, a acção contribuiu directamente para mitigar um dos desafios urbanos mais sensíveis: a multiplicação descontrolada de animais errantes, muitas vezes vítimas de abandono e expostos a doenças, maus-tratos e riscos sanitários.

As cirurgias incluíram técnicas de castração em machos e ovariohisterectomia em fémeas, procedimentos que impedem a reprodução descontrolada e reduzem significativamente a população de animais de rua. Ao actuar preventivamente, a campanha contribui não apenas para o bem-estar animal, mas também para a saúde pública e para a melhoria das condições sanitárias da cidade.

Segundo o Coordenador do projecto, Prof. Doutor Atanásio Vidane, a acção reflecte o compromisso institucional da FAVET com a responsabilidade social e com a formação de qualidade. Trata-se de uma iniciativa que responde, simultaneamente, a um problema concreto da cidade de Maputo e à necessidade de proporcionar aos estudantes experiência prática robusta, essencial para o exercício competente da profissão.

Para os estudantes envolvidos, a campanha representou uma oportunidade ímpar de consolidação de competências técnicas e éticas. A representante do grupo, Mestina Manuel, destacou o valor da experiência prática no aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas e anestésicas. “Durante as aulas teóricas, não tínhamos contacto directo suficiente com animais para praticar. Esta experiência foi fundamental para o nosso crescimento profissional”, afirmou.

A estudante reconheceu, contudo, os desafios enfrentados no terreno, sublinhando que a prática exige capacidade de adaptação a situações imprevistas. Referiu-se, como exemplo, à complexidade de operar um animal de apenas seis meses, cujos ovários eram de difícil localização, bem como um caso de complicação anestésica que exigiu intervenção imediata para estabilização respiratória.

A campanha contou, igualmente, com o envolvimento do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, que colaborou na identificação de animais pertencentes a munícipes dispostos a aderir ao programa, reforçando o carácter comunitário da iniciativa.