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ESUDER transforma conhecimento em negócio e aposta na produção para o mercado

Escola investe no cultivo de hortícolas e na criação de frangos, envolvendo estudantes e estabelecendo parcerias comerciais para reforçar a sua sustentabilidade financeira.

A Escola Superior de Desenvolvimento Rural de Vilankulo (ESUDER) está a investir na produção de hortícolas e frangos, com o objectivo de garantir a auto-ssuficiência alimentar interna e gerar receitas. Num espaço de três hectares, estudantes, sob supervisão de docentes, estão envolvidos na produção de hortícolas, cuja colheita se espera que resulte em quantidades suficientes para suprir as necessidades alimentares da Escola.

A desbravação do espaço de três hectares foi possível graças a uma parceria com os Serviços Penitenciários locais, que mobilizaram reclusos que cumprem diversas penas para realizar o trabalho, no âmbito das actividades de serviço social a que este grupo está sujeito.

O Governo distrital, encorajado pela iniciativa produtiva, mobilizou um tractor que ajudou na preparação da terra, abrindo boas perspectivas para resultados animadores, que prometem suprir as necessidades da Escola e, igualmente, abastecer o mercado local.

O Governo distrital entende que a ESUDER pode fornecer culturas escassas em determinados períodos. O tomate é visto como uma das principais apostas, tendo em conta que os produtores locais não conseguem garantir a sua produção durante todo o ano.

Por isso, nesta etapa, o projecto consiste em apostar na produção de tomate. Entretanto, no âmbito das práticas contínuas, a Escola está também a investir na produção de culturas como pepino, alface, couve e milho, ainda que em pequenas quantidades.

O envolvimento dos estudantes em actividades produtivas permite conciliar as aulas teóricas e práticas, o que, além de consolidar os conhecimentos práticos dos estudantes, constitui uma forma de os encorajar a abraçar actividades empreendedoras e empresariais após a formação.

Segundo o Director da ESUDER, Prof. Doutor Isidro Macuácua, o objectivo é tornar todo o campus da ESUDER num espaço verde e produtivo. Entretanto, esclarece que a Escola sempre produziu, mas em pequenas quantidades e com foco nas aulas práticas e na experiência dos estudantes. “Mas desta vez, a Escola está a apostar numa produção comercial para geração de lucros”, disse.

Nesse sentido, a ESUDER já começou a estabelecer parcerias com algumas empresas locais para garantir que os produtos produzidos encontrem compradores no mercado local. Segundo o Director, até ao momento, a SASOL e o Conselho Distrital de Juventude, entidade que tutela as pequenas empresas locais, já se prontificaram a adquirir o tomate a ser produzido pela ESUDER. Entretanto, os trabalhos continuam com vista a garantir a adesão de mais empresas. “Na verdade, já temos clientes, estamos a fazer uma produção direccionada e queremos produzir em função dos produtos que estão escassos no mercado”, disse.

Num ano em que as previsões indicam que o país poderá ser assolado pelo fenómeno El Niño, Isidro Macuácua garante que a Escola pode tirar proveitos financeiros por dispor de conhecimento e mão-de-obra capazes de produzir mesmo em condições adversas.

65 estudantes de Produção Animal envolvidos na produção de frangos

Ao lado do campo de produção, a ESUDER ergueu um aviário para a produção de frangos. Estudantes do curso de Produção Animal estão envolvidos na actividade. Com capacidade para produzir até 1.500 frangos, nesta fase foram introduzidos 500 pintos. A decisão visa evitar riscos enquanto se aprimora o processo de produção.

Na próxima fase, está prevista a aquisição de 900 pintos, porquanto o objectivo é garantir o incremento gradual da actividade, de forma a assegurar a sustentabilidade do negócio. “Queremos ganhar lucros e reinvestir com esses lucros”, disse o Director.

Grece Feliciano, estudante do 3.º ano do curso de Produção Animal, explica que os pintos foram recebidos com um peso de 40 gramas, após serem submetidos a vacinas específicas e alimentados com ração. Quatro dias depois, as aves passaram a pesar 120 gramas. Espera-se que, aos 35 dias, altura em que estarão prontas para o consumo, atinjam um peso de 3,5 quilos.

A actividade envolve 65 estudantes dos I, II e III níveis, divididos em grupos de trabalho. O nível I trabalha das 6h00 às 12h00, o nível II das 12h00 às 19h00, e o nível III foi escalado para o período entre as 19h00 e as 6h00.

Essencialmente, as actividades consistem na administração de vacinas, fornecimento de ração e manutenção da temperatura do aviário numa média de até 35 graus. Quando as temperaturas baixam, recorre-se ao carvão vegetal para regular a temperatura no interior do aviário. “Damos três quilos de ração de manhã e três quilos à noite, e eles estão a apresentar um bom desenvolvimento”, concluiu.

Reitor apela à sustentabilidade

No âmbito da visita que efectuou recentemente às escolas localizadas fora de Maputo, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, visitou as actividades produtivas que começam a ganhar forma no campus da ESUDER, oferecendo uma nova imagem e dinâmica à Escola.

Guilherme Júnior visitou as actividades de produção agrícola e de aquacultura, envolvendo estudantes sob a supervisão de docentes.

Na ocasião, o Reitor apelou à sustentabilidade das iniciativas produtivas que já decorrem, recomendando que a ESUDER recorra à experiência da Fundação Universitária para tornar a actividade comercial sustentável.

Segundo disse, a ESUDER tem a vantagem de possuir estudantes que representam mão-de-obra sem custos salariais. “Por serem académicos, é preciso pensar de forma comercial para garantir a autossustentabilidade da Escola”, disse.