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Universidade Eduardo Mondlane

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Estudo revela padrões de consumo de cannabis entre jovens em Maputo

– Mais de 40% dos consumidores recorrem à cannabis para relaxar e lidar com o stress

Cerca de 90% dos consumidores de cannabis sativa inquiridos num estudo realizado na Cidade de Maputo têm entre 18 e 30 anos de idade, sendo 63% do sexo masculino. O acesso à substância ocorre principalmente por intermédio de amigos (48,9%) e da influência de pares (25,8%), evidenciando o papel das redes de sociabilidade no início e manutenção do consumo.

Os dados constam do estudo “Mbangui: Evidências Preliminares sobre os Padrões de Uso de Cannabis em Maputo”, desenvolvido por estudantes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e apresentado esta Quarta-feira (11), no Campus Principal da instituição.

Coordenada pelo Doutor Baltazar Muianga, a investigação foi realizada pelos estudantes Élio Mucavele, Lenise Munguambe, Édio Massinga e Thair Mauiane, tendo analisado o perfil dos consumidores, as motivações para o consumo, os efeitos percebidos e a relação dos utilizadores com as autoridades.

Os resultados mostram que 31,8% dos participantes consomem cannabis diariamente. Entre as principais razões apontadas para o consumo, destaca-se a procura por relaxamento e alívio do stress, mencionada por 42,8% dos inquiridos.

Efeitos percebidos variam entre homens e mulheres

O estudo identificou diferentes percepções sobre os efeitos da cannabis entre homens e mulheres. Entre os homens, 57% afirmaram sentir relaxamento após o consumo, enquanto 19% referiram aumento da concentração. Já entre as mulheres, 52% reportaram sensação de relaxamento e 19% indicaram episódios de ansiedade.

A investigação constatou ainda que 17% das mulheres e 7% dos homens associam o consumo a sentimentos de maior euforia, evidenciando que os efeitos percebidos podem variar de acordo com características individuais e contextuais.

Amigos e gestão do stress entre as principais motivações

Quando questionados sobre as razões que os levaram a consumir cannabis, 35% dos homens e igual percentagem de mulheres apontaram a influência de amigos como principal factor. A gestão do stress foi mencionada por 29% dos homens e 16% das mulheres, enquanto a curiosidade surgiu como motivação relevante para 24% das mulheres e 16% dos homens.

Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que factores sociais, emocionais e relacionais desempenham um papel importante na decisão de consumir a substância.

Percepções sobre segurança e actuação das autoridades

O estudo analisou, igualmente, a relação entre o consumo de cannabis e a percepção de segurança nos bairros. Cerca de 41,7% dos inquiridos associam a existência das chamadas “bocas de fumo” ao aumento da criminalidade nas comunidades onde vivem.

Entre os consumidores entrevistados, 62,1% afirmaram já ter tido algum tipo de conflito com as autoridades. Por outro lado, 37,5% classificaram a actuação das autoridades como fraca. A pesquisa identificou ainda um nível significativo de desconhecimento da legislação relacionada com o consumo e posse de cannabis, revelando um cenário marcado por desinformação, desconfiança e percepções divergentes sobre a eficácia das medidas de controlo.

Contributo para a compreensão do fenómeno

Durante a apresentação dos resultados, o Director-adjunto para Investigação e Extensão da FLCS, Prof.° Doutor Carlitos Companhia, felicitou os estudantes envolvidos pela iniciativa, destacando a importância da participação dos graduandos em actividades de investigação científica desde as fases iniciais da sua formação académica.

Por sua vez, o coordenador do estudo e Chefe do Departamento de Sociologia da FLCS, Doutor Baltazar Muianga, explicou que a pesquisa pretende contribuir para a iniciação científica dos estudantes e para uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas sociais associadas ao consumo de substâncias psicoactivas. “Esta pesquisa é preliminar e foi realizada por todos os estudantes que frequentam a cadeira de Sociologia do Crime, nos cursos de Antropologia, Sociologia e Serviços sociais”, afirmou.

A Cannabis Sativa é uma planta de caule anelado, com cerca de 2 metros de altura, flores pouco visíveis e um odor especial característico. É usada desde a confecção de tecidos a complemento alimentar na China, enquanto em outros países é usada para diminuir dores oculares, vómitos e aumentar apetite.

A apresentação do estudo decorreu no âmbito das Jornadas de Iniciação Científica da Faculdade de Letras e Ciências Sociais, uma iniciativa que visa promover a cultura de investigação e incentivar a produção de conhecimento sobre questões relevantes para a sociedade moçambicana.