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Universidade Eduardo Mondlane

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Dia Mundial da Saúde Única: Envolvimento das comunidades é fundamental para o sucesso da abordagem One Health

– Defende Prof. Doutor Carlos Cuinhane

O envolvimento activo das comunidades na identificação dos problemas que afectam a sua saúde e na definição de soluções adequadas aos seus contextos locais constitui um factor determinante para a implementação efectiva da abordagem “Uma Só Saúde” (One Health). A posição foi defendida, hoje (03/11), pelo Prof. Doutor Carlos Cuinhane, durante a sua intervenção nas celebrações do Dia Mundial da Saúde Única, realizadas na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

A abordagem One Health assenta numa perspectiva integrada e multidisciplinar de prevenção e resposta aos desafios de saúde que resultam da interdependência entre seres humanos, animais e ambiente. O seu propósito é promover o equilíbrio e a optimização sustentável da saúde destes três componentes.
Estima-se que mais de 60% das doenças infecciosas que afectam os seres humanos tenham origem animal. Paralelamente, o uso inadequado e excessivo de antibióticos na produção animal contribui para o desenvolvimento e a disseminação da resistência aos antimicrobianos, constituindo uma ameaça à saúde pública.
Perante este cenário, Carlos Cuinhane defende o reforço das práticas de higiene e saneamento, o consumo de carne proveniente de animais devidamente inspeccionados e a disponibilização de profissionais especializados para capacitar as comunidades em matérias relacionadas com a saúde e a administração adequada de medicamentos aos animais.
O académico considera, igualmente, que o conhecimento individual e colectivo sobre a abordagem One Health constitui um pressuposto essencial para a transformação de comportamentos e a adopção de práticas que contribuam para a redução dos riscos sanitários.
Entretanto, sublinha que a mudança de comportamento não depende exclusivamente da sensibilização das comunidades, sendo igualmente necessário que os diferentes actores e instituições intervenham na melhoria das condições socioeconómicas e estruturais que condicionam a produção de conhecimentos e a adopção de práticas relacionadas com a saúde.
Relativamente ao contexto moçambicano, o orador referiu que o país tem desenvolvido diferentes intervenções de comunicação orientadas para a prevenção e o controlo das doenças zoonóticas, incluindo a elaboração de uma estratégia específica de comunicação. Contudo, persistem desafios relacionados com a eficácia limitada das intervenções, a predominância de abordagens de cima para baixo e a insuficiente adequação das estratégias às realidades socioculturais das comunidades locais.
Neste contexto, a UEM, em parceria com outras instituições, está a implementar o projecto de investigação denominado CASCOH, que, entre outros objectivos, procura compreender as percepções, os conhecimentos e as práticas das comunidades locais relativamente à abordagem One Health, no distrito de Massingir, província de Gaza.
Os resultados da investigação indicam a existência de práticas que podem aumentar a exposição das comunidades às doenças zoonóticas. Cerca de 74% dos inquiridos reportaram o consumo de carne de animais selvagens e de animais domésticos não submetidos à inspecção sanitária.
Na abertura do evento, a Directora do Centro de Biotecnologia da UEM, Prof. Doutora Lucinda de Araújo, destacou que a Saúde Única assenta no reconhecimento de que a saúde humana está intrinsecamente ligada à saúde animal e à integridade dos ecossistemas.
Segundo a dirigente, os desafios sanitários e ambientais da actualidade, com destaque para as doenças zoonóticas, a resistência aos antimicrobianos, as alterações climáticas e a degradação ambiental, evidenciam a necessidade de ultrapassar abordagens sectoriais isoladas e adoptar respostas integradas, sustentadas pelo conhecimento científico e pela colaboração efectiva entre diferentes sectores e instituições.
Lucinda de Araújo salientou ainda que, no contexto moçambicano, a abordagem One Health assume particular importância na protecção da saúde pública, na promoção da segurança alimentar e na construção de um ambiente saudável e sustentável.
As celebrações do Dia Mundial da Saúde Única, organizadas pelo Centro de Biotecnologia da UEM, incluíram a exibição de um documentário, a apresentação de uma peça teatral e a realização de uma feira de ciência e variedades.
Assinalado anualmente a 3 de Novembro, o Dia Mundial da Saúde Única constitui uma oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre a importância desta abordagem integrada, reforçando a necessidade de colaboração entre profissionais, instituições e comunidades na construção de um ambiente mais saudável e seguro para todos.