
Dia De África: “O maior recurso de África é a ciência e tecnologia”
– Advogam painelistas
A unidade constitui a pedra angular para que o continente africano possa materializar a sua agenda de desenvolvimento, num contexto complexo marcado por diversos desafios endógenos e exógenos, com destaque para a paz, segurança e o acesso a recursos.
Este posicionamento foi defendido pelo Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Doutor Edson Macuácua, durante a abertura do colóquio alusivo à celebração do Dia de África, realizado na Segunda-feira (25/05), no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
O governante destacou a necessidade de um trabalho conjunto entre as nações africanas para a superação de conflitos armados, tensões geopolíticas, bem como para a promoção da paz e segurança, indispensáveis ao desenvolvimento humano. “A agricultura e justiça climática demonstram que, através da adaptação às mudanças climáticas e do investimento em práticas agrícolas familiares, é possível garantir a soberania e a segurança alimentar”, disse.
Explicou ainda que, na materialização deste desiderato, a ciência e a tecnologia são motores fundamentais do desenvolvimento, mas enfrentam barreiras estruturais, tais como subfinanciamento crónico, infraestruturas precárias e dependência externa. “Superar estes obstáculos é vital para impulsionar o desenvolvimento humano, económico e sustentável”.
Macuácua acrescentou que, neste contexto, as universidades africanas desempenham um papel vital como motores de transformação social, científica, económica, cultural e política. “Elas são responsáveis por formar um capital humano com um conhecimento produtivo, liderar inovações tecnológicas, promover a integração regional e proteger o património histórico”.
Segundo Macuácua, a modernização dos currículos permitirá impulsionar a investigação em áreas críticas como CTEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), preparando profissionais capazes de responder às exigências do mercado moderno.
Acrescentou ainda que os estudos científicos devem se concentrar nos principais desafios estruturais do continente, incluindo adaptação às mudanças climáticas, segurança alimentar, urbanização e mitigação de conflitos.
Por sua vez, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, afirmou que ciência e a tecnologia não são luxos reservados às nações ricas, mas sim motores de transformação económica e social, pois “aumentam a produtividade, melhoram os sistemas de saúde, fortalecem a agricultura, modernizam as indústrias, criam empregos e elevam a qualidade de vida dos cidadãos”.
Sublinhou que África possui um potencial extraordinário, evidenciado pelos vastos recursos naturais, enorme capacidade de produção de energia solar, extensas terras agrícolas, rica biodiversidade e uma geração crescente de jovens talentosos, ansiosos por inovar e contribuir para o desenvolvimento do continente. “Não é por acaso que existe ainda corrida geopolítica global por nossos recursos. No entanto, o nosso maior recurso não está debaixo da terra. Não é o petróleo, o gás, os minerais ou mesmo a terra. O maior recurso de África é a inteligência, a criatividade e a energia do seu povo. Enfim, é a ciência e tecnologia”, alertou.
Como desafios, referiu que África deve investir seriamente na educação, desde o ensino primário até à investigação de pós-graduação, explicando que, uma boa formação de base, cria as condições para a absorção e produção científica e tecnológica. “Os governos e o sector privado devem aumentar o investimento na investigação científica e inovação tecnológica. O financiamento da investigação não deve ser visto como despesa, mas sim como investimento estratégico para o desenvolvimento nacional”, afirmou
O Reitor ressaltou, igualmente, a urgência de fortalecer os ecossistemas de inovação, através do apoio a startups, parques científicos, incubadoras e parcerias entre universidades, indústria e governo.
Na mesma ocasião, o representante da Associação Vidas, Rui Silva, disse que a celebração desta data histórica para o continente africano exige um olhar que vá além da geopolítica, contemplando, igualmente, a identidade visual e cultural africana. “A cultura e as cores de África constituem momentos históricos vivos e são, igualmente, manifestações de resistência”, referiu.
O colóquio alusivo à celebração do Dia de África, que contou com a participação de estudantes, docentes, investigadores, dirigentes e artistas moçambicanos de renome, foi organizado pela Faculdade de Filosofia da UEM em colaboração com a Associação Vidas.