
Desafios de Financiamento à Pesquisa: Palestrantes propõem estratégias de financiamento a investigação
As oradoras da mesa-redonda sobre “Os desafios do financiamento à pesquisa no contexto competitivo”, realizada no âmbito das celebrações dos 50 anos do Centro de Estudos Africanos (CEA), defenderam que o financiamento para a investigação não é apenas uma questão de sorte, mas também de preparação, conexões, oportunidades e prioridades.
Explicaram que, para um investigador, não basta ter muito conhecimento para obter financiamento, alertando para a importância de procurar oportunidades, criar redes, formar equipas dinâmicas e candidatar-se a programas de apoio à investigação.
A antiga Directora do Fundo Nacional de Investigação, Doutora Victória Langa, referiu que os obstáculos e a falta de transparência não devem conduzir à desistência, mas constituir um estímulo para a procura de novas rotas e novos afluentes.
Reiterou que o desafio é passar da reclamação à acção, reconhecer oportunidades, preparar boas propostas, persistir e continuar a avançar. “A nossa foz é transformar conhecimento, ideias e oportunidades em investigação relevante e com impacto”, disse.
Alertou os colegas de profissão para o facto de que os investigadores que chegam ao topo não são necessariamente os que tiveram mais recursos, mas aqueles que souberam criar caminhos, encontrar oportunidades e continuar a avançar. “Esta sala está cheia de investigadores que não se deixam deter pelos vários chumbos. São exemplos de persistência, resiliência e determinação, por isso, continuam a lutar até encontrarem ou chegarem à foz”, alertou.
Numa abordagem similar, a docente e investigadora da UEM, Prof.ª Doutora Inês Raimundo, propôs a criação de uma oficina, nas reitorias ou direcções científicas, que possa funcionar como uma unidade especializada de prestação de serviços internos. “Esta deve assumir toda a responsabilidade administrativa para identificar e fazer a triagem diária de editais internacionais e nacionais, bem como a preparação das candidaturas a financiamento à investigação e a verificação da conformidade legal”.

Explicou que a tarefa do investigador é produzir conhecimento e, por isso, não pode ser visto como contabilista, escriba e caçador de projectos. “Os nossos investigadores, quando vão ao Fundo Nacional de Investigação, são chamados a prestar contas e a produzir correctamente um relatório financeiro. Porém, esquecem que eles não são especialistas nessas áreas.”
Por sua vez, a docente e investigadora da UEM, Prof.ª Carla Braga, referiu que, actualmente, vigora uma era de mercantilização das universidades, do sector da saúde e da educação, numa situação em que as políticas neoliberais tendem a reduzir o financiamento à investigação.