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Universidade Eduardo Mondlane

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CS-OGET:Uma década a formar o futuro da energia

Há instituições que se medem pela idade. Outras, pelo impacto que conseguem produzir. O Centro Regional de Excelência em Estudos de Engenharia e Tecnologia de Petróleo e Gás (CS-OGET), da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), pertence claramente à segunda categoria.

Em apenas uma década, transformou-se num dos principais polos africanos de formação avançada e investigação aplicada na área da energia, contribuindo para reduzir um dos maiores constrangimentos que, historicamente, acompanharam o desenvolvimento do sector petrolífero moçambicano: a escassez de recursos humanos altamente qualificados.

Os números traduzem essa trajectória. Mais de 200 mestres, cerca de 30 doutorados e uma centena de especialistas formados em programas regionais saíram das salas de aula e dos laboratórios do Centro. A recente acreditação internacional do Mestrado em Engenharia de Petróleo e Gás é sinónimo do reconhecimento da qualidade académica alcançada pela instituição.

Mas, para o Director do Centro, Prof. Doutor Luís Hélder Lucas, o verdadeiro legado não se resume às estatísticas. “A principal missão do Centro Regional de Excelência em Estudos de Engenharia e Tecnologia de Petróleo e Gás é, acima de tudo, apoiar os esforços da nossa Universidade na formação de técnicos qualificados, bem como realizar investigação aplicada e promover a inovação nos domínios da energia, com particular destaque para as áreas de petróleo e gás natural”.

Embora reconheça os progressos alcançados, o Director sublinha que a instituição encara esta primeira década como uma etapa de consolidação. “Acreditamos que sim. Temos vindo a dar passos nesse sentido. Obviamente, ainda não estamos completamente satisfeitos, pois temos muito por fazer. No entanto, acreditamos que o trabalho realizado, desde o início das nossas actividades, já apresenta resultados relevantes”.

Formação desenhada a partir das necessidades da indústria

Num sector em constante evolução tecnológica, manter os currículos alinhados com o mercado tornou-se uma prioridade estratégica.

Ao contrário do modelo tradicional, em que a universidade define isoladamente os programas académicos, o CS-OGET optou por construir os seus cursos em diálogo permanente com empresas, entidades reguladoras e especialistas da indústria.

Segundo Luís Hélder Lucas, esta articulação começa ainda na fase de concepção curricular. “Fazer o alinhamento com as necessidades do mercado significa, desde o primeiro momento, envolver os diferentes sectores e parceiros ligados à indústria, incluindo os órgãos reguladores. Temos vindo a fazer isso desde o início, nomeadamente no desenvolvimento dos próprios currículos”, disse.

Esse contacto não termina com a aprovação dos cursos. “Ao longo da implementação dos cursos, continuamos também a envolver a indústria. Temos momentos em que os nossos parceiros são convidados a partilhar a sua experiência através de seminários e outras actividades académicas”, acrescentou.

O resultado é uma formação concebida para responder às necessidades concretas do mercado de trabalho, realidade que se reflecte na integração profissional dos graduados.

Embora o estudo sobre empregabilidade ainda esteja em fase de conclusão, o Director assegura que os sinais são encorajadores. “Temos, contudo, a percepção de que os nossos graduados são bem aceites, tanto dentro como fora do país”, destacou.

Um centro que começa a atrair África

A crescente internacionalização é outro indicador da maturidade alcançada pelo Centro. Estudantes provenientes de vários países africanos procuram, actualmente, a UEM para frequentar programas de Mestrado e Doutoramento. Muitos regressam aos seus países para integrar empresas petrolíferas, organismos públicos e instituições de investigação.

Entre os casos mais recentes, destacam-se doze estudantes do Níger, cujas bolsas são financiadas pela Empresa Nacional de Petróleo daquele país.

Para Luís Hélder Lucas, este interesse internacional resulta também do processo de acreditação dos cursos. “Conseguimos uma acreditação regional do nosso curso de Engenharia de Petróleo e Gás, o que, certamente, aumenta a nossa visibilidade e abre as portas para uma maior projecção fora das nossas fronteiras”.

Hebert Mukoya, de Uganda, concluiu o mestrado, na UEM, em 2018. Anos depois de deixar o Centro, continua a recorrer aos conhecimentos adquiridos durante a formação para responder a problemas concretos do sector de petróleo e gás.

A passagem pelo CS-OGET proporcionou-lhe uma base técnica em engenharia de reservatórios, produção, análise e avaliação de dados, simulação e economia de projectos. São competências que, segundo o antigo estudante, permanecem presentes no seu quotidiano profissional. “Aplico esses conhecimentos regularmente nas minhas responsabilidades, por exemplo, na revisão de modelos enviados pelas operadoras, na análise de dados de pressão de poços de desenvolvimento e na avaliação do desempenho da produção de petróleo”, explica Mukoya.

O testemunho ajuda a traduzir em resultados concretos aquilo que o Director do CS-OGET, Prof. Doutor Luís Hélder Lucas, define como a razão de ser da instituição: formar técnicos qualificados, desenvolver investigação aplicada e promover inovação nos domínios da energia, particularmente no petróleo e gás natural.

Porém, para o Director, os resultados alcançados não significam que a missão esteja concluída. A primeira década é encarada sobretudo como uma etapa de consolidação de um projecto que ainda tem espaço para crescer. “Temos vindo a dar passos nesse sentido. Obviamente, ainda não estamos completamente satisfeitos, pois temos muito por fazer. No entanto, acreditamos que o trabalho realizado desde o início das nossas actividades já apresenta resultados relevantes”, afirma.

Uma formação que permanece depois do diploma

A experiência de Stella Tgonza Jowanita, igualmente de Uganda, reforça essa dimensão prática da formação.

Para a antiga estudante, o programa não se limitou à transmissão de conhecimentos teóricos. A combinação entre teoria e aplicação prática tornou-se um recurso que continua a utilizar no exercício das suas funções. “O programa do Centro de Excelência em Petróleo e Gás proporcionou-me uma base sólida, tanto em termos de conhecimentos teóricos como de aplicações práticas, que utilizo no meu trabalho diário. Graças à experiência que adquiri no Centro de Excelência, consigo desempenhar as minhas funções com maior eficácia”, afirma.

É precisamente esta ligação entre conhecimento e capacidade de intervenção profissional que constitui um dos indicadores do impacto do CS-OGET. Os testemunhos dos antigos estudantes mostram uma cadeia que começa na formação universitária e se prolonga na análise de dados, avaliação de projectos, gestão de reservatórios, produção e tomada de decisões técnicas na indústria.

Currículos construídos com a indústria

Num sector caracterizado por rápidas transformações tecnológicas, o CS-OGET procura evitar que a formação académica evolua separada das necessidades do mercado.

Por isso, empresas, entidades reguladoras e especialistas da indústria são envolvidos desde a concepção dos programas curriculares. O diálogo prossegue durante a implementação dos cursos, através de seminários e outras actividades académicas com profissionais do sector. “Fazer o alinhamento com as necessidades do mercado significa, desde o primeiro momento, envolver os diferentes sectores e parceiros ligados à indústria, incluindo os órgãos reguladores”, explica Luís Hélder Lucas.

Essa filosofia esteve presente na criação de alguns dos principais programas do Centro. O Mestrado em Engenharia de Petróleo foi desenvolvido com apoio da Anadarko e de universidades norte-americanas; o Mestrado em Engenharia de Processamento contou com a participação da Sasol; e o curso de Saúde, Segurança e Ambiente beneficiou da colaboração de uma empresa francesa especializada no sector petrolífero. “Não desenvolvemos os nossos currículos apenas com base na componente académica. Procuramos, igualmente, incorporar as necessidades e as expectativas do mercado”, sublinha o Director.

Se a formação constitui um dos pilares do Centro, a investigação aplicada representa o segundo eixo da sua actividade.

A produção científica desenvolvida pelo CS-OGET procura responder, directamente, às necessidades da indústria, incidindo sobre engenharia de petróleo, geociências, engenharia de reservatórios, produção e processamento.

Segundo o Director, o objectivo consiste em transformar conhecimento em soluções tecnológicas. “A nossa investigação tem um carácter essencialmente aplicado. Ela orienta-se, fundamentalmente, para as áreas de formação do Centro, que incluem a Engenharia de Petróleo, as Geociências, a engenharia de reservatórios, a produção e o melhoramento das técnicas de produção de petróleo e gás”.

Nos últimos anos, porém, o Centro passou a olhar para desafios que ultrapassam o universo tradicional dos hidrocarbonetos. “Olhamos também com particular atenção para outras áreas, nomeadamente a transição energética, os biocombustíveis, os materiais críticos e a mineração sustentável. Portanto, estamos a nos tornar mais abrangentes nas temáticas que investigamos e acreditamos que estamos a responder às necessidades do próprio mercado”.

A aproximação às empresas não se limita à realização de estágios ou seminários. Os próprios programas académicos nasceram em estreita colaboração com multinacionais do sector energético.

O futuro começa agora

A próxima década será marcada pela consolidação dos resultados alcançados e pela expansão da presença regional do Centro.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da cooperação académica, a abertura de novos cursos, o apoio a outras instituições de ensino superior – como o Instituto Superior Politécnico de Tete, na implementação do Mestrado em Mineração Sustentável – e a diversificação das fontes de financiamento. “A nossa visão para o futuro assenta, em primeiro lugar, na consolidação do trabalho que temos vindo a desenvolver. Temos um plano de sustentabilidade para os próximos cinco anos. Como Centro Regional, temos uma perspectiva que abrange não só o país, mas também a região”.

Mas o Director reconhece que os próximos passos exigirão investimento. “Queremos também continuar a melhorar as nossas condições de trabalho. Precisamos de mais infra-estruturas e de melhores condições laboratoriais. Precisamos, igualmente, de reforçar a nossa capacidade financeira”.