
Cooperação Moçambique–China: UEM defende transformação de oportunidades comerciais em industrialização e emprego
– Tufária Mussá destaca papel estratégico das universidades no aproveitamento do acesso preferencial ao mercado chinês
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) defende que o acesso preferencial ao mercado chinês deve se traduzir em mais produção nacional, industrialização, exportações e criação de emprego, em vez de se limitar à comercialização de matérias-primas.
A posição foi apresentada pela docente e investigadora da UEM, Prof.ª Doutora Tufária Mussá, no dia 27 de Outubro, em Windhoek, Namíbia, durante um simpósio sobre o aprofundamento da cooperação económica entre a China e a África Austral, organizado pela Associação Económica da Namíbia.
O encontro, subordinado ao tema “China–Africa Partnership at 70: Deepening Collaboration and Exchanges Opportunities Presented by China’s Zero-Tariff Policy”, discutiu estratégias para transformar as oportunidades criadas pela política de tarifa zero em benefícios económicos concretos para os países da região.
Na sua intervenção, Tufária Mussá destacou que Moçambique reúne condições favoráveis para tirar proveito desta abertura comercial, graças à sua localização geográfica estratégica e à disponibilidade de recursos agrícolas, marinhos e minerais.
Contudo, advertiu que a eliminação de tarifas, por si só, não garante o aumento das exportações nem benefícios económicos sustentáveis. O aproveitamento destas oportunidades exige maior capacidade produtiva, competitividade, certificação de qualidade e investimento na transformação local das matérias-primas.
Para Tufária Mussá, as universidades devem assumir um papel central na transformação das oportunidades comerciais em ganhos económicos, através da produção de conhecimento, formação de quadros qualificados, investigação aplicada e desenvolvimento de soluções tecnológicas para o sector produtivo.
Neste contexto, destacou o contributo da UEM na formação de recursos humanos, promoção da investigação científica e inovação, defendendo uma articulação mais estreita entre as instituições de ensino superior, o Governo e o sector privado.
A investigadora considera que o fortalecimento desta ligação poderá contribuir para melhorar a competitividade das empresas nacionais, estimular a transformação industrial e criar condições para que Moçambique exporte produtos com maior valor acrescentado.
Inteligência artificial e energias renováveis entre as prioridades
No domínio da cooperação académica e científica, Tufária Mussá identificou oportunidades para o desenvolvimento de programas conjuntos de formação técnico-profissional, pós-graduação, investigação aplicada e mobilidade de docentes e estudantes.
Apontou a inteligência artificial, as energias renováveis, a inovação agrícola, a transformação digital, a saúde e a resiliência climática como áreas prioritárias para o estabelecimento de parcerias com instituições chinesas.
Defendeu, igualmente, o reforço da cooperação entre universidades, centros de investigação, instituições de formação técnico-profissional e empresas dos dois países, com enfoque na transferência de tecnologia e no desenvolvimento de soluções adaptadas às necessidades de Moçambique.
Cooperação deve gerar benefícios concretos para Moçambique
A docente sublinhou que o verdadeiro alcance da cooperação económica com a China deverá ser medido pela capacidade de Moçambique aumentar a produção nacional, diversificar as exportações, incorporar tecnologia e gerar oportunidades de emprego.
Nesta perspectiva, considerou fundamental que as parcerias comerciais e académicas privilegiem o fortalecimento das capacidades locais e a criação de condições para uma participação mais competitiva das empresas moçambicanas nos mercados internacionais.
Para Tufária Mussá, o desafio não se resume a conquistar espaço no mercado chinês, mas a garantir que essa abertura contribua efectivamente para a industrialização, a inovação e o desenvolvimento sustentável de Moçambique.
