
Cátedra Oliver Tambo aposta na melhoria da comunicação
Entre salas de aula e florestas sagradas, investigadores da Cátedra Oliver Tambo querem transformar dados científicos em decisões concretas, capazes de mudar a forma como comunidades do sul de Moçambique enfrentam as mudanças climáticas.
No âmbito das actividades, a equipa de investigadores deslocou-se ao posto administrativo de Chirindzene, no distrito de Limpopo, em Gaza, onde observou o papel da chamada “Floresta Sagrada” na vida das comunidades.
Durante a visita, o Administrador distrital, Virgílio André Mulhanga, destacou a importância daquele ecossistema para a subsistência das populações, apontando benefícios como a disponibilidade de recursos naturais, o potencial turístico e a influência no equilíbrio climático local.
A interacção com líderes comunitários, como o Régulo Matavel, mostra a necessidade de integrar o conhecimento científico às práticas tradicionais, numa abordagem mais inclusiva e eficaz de adaptação às mudanças climáticas.
A iniciativa decorre no âmbito da Cátedra Oliver Tambo e materializou-se com a realização de um workshop, nos dias 9 e 10 de Abril, orientado pela organização sul-africana Jive Media Africa. A formação reuniu investigadores, estudantes de mestrado em Biologia e Ecologia de Conservação e doutorandos em Ciências Florestais, ligados à Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal.
O principal objectivo é capacitar os participantes a comunicar resultados científicos, de forma clara, acessível e relevante para diferentes públicos, sobretudo decisores políticos e comunidades locais directamente afectadas pelos efeitos das mudanças climáticas.
O coordenador da Cátedra, Almeida Sitoe, reconhece que um dos maiores desafios da investigação científica não está apenas na produção de conhecimento, mas na sua transmissão eficaz. “É fundamental que os resultados das nossas pesquisas cheguem às comunidades e influenciem decisões. Sem isso, o impacto da ciência fica limitado”, afirmou.
Ao investir na comunicação científica, a UEM procura reduzir a distância entre a produção académica e as necessidades reais da sociedade.
A expectativa é que, com investigadores mais capacitados para comunicar, os resultados deixem de ficar restritos ao meio académico e passem a influenciar comportamentos, políticas e práticas locais, contribuindo para soluções sustentáveis num contexto de crescente vulnerabilidade climática.
Criada em 2022, a Cátedra Oliver Tambo tem vindo a desenvolver estudos sobre adaptação às mudanças climáticas em zonas áridas e semiáridas do Corredor de Limpopo, abrangendo distritos como Limpopo, Massingir, Mabalane, Mapai e Chicualacuala, na província de Gaza.
Com mais de dez artigos científicos já publicados, a Cátedra prepara-se, agora, para uma nova fase centrada na advocacia e intervenção comunitária, com foco na conservação florestal e na promoção de práticas sustentáveis.
