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Universidade Eduardo Mondlane

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Para Elevar Rendimento dos Atletas: ESCIDE projecta complexo desportivo e laboratórios

– Escola com 229 profissionais formados aposta na investigação aplicada e na internacionalização

A Escola Superior de Ciências do Desporto (ESCIDE), da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), pretende dar um novo impulso à formação e à investigação desportiva em Moçambique, através da criação de um complexo integrado de infra-estruturas, expansão da pós-graduação e desenvolvimento de serviços científicos especializados para melhorar o rendimento dos atletas e apoiar as organizações desportivas nacionais.
A ambição foi apresentada durante a palestra inaugural do “Ciclo de Palestras da ESCIDE”, iniciativa inserida nas celebrações dos 15 anos da instituição, que serviu para fazer o balanço do percurso académico e projectar os desafios da formação, investigação e inovação no desporto.
Entre as prioridades estão o desenvolvimento de laboratórios de fisiologia do exercício, biomecânica, avaliação funcional e análise do desempenho desportivo, áreas consideradas fundamentais para uma preparação dos atletas cada vez mais sustentada no conhecimento científico.
O Director da ESCIDE, Mestre Paulo Gumede, defendeu que a instituição deve ultrapassar a sua função tradicional de formação e afirmar-se como centro de produção de conhecimento, inovação e prestação de serviços especializados ao desporto nacional.
A aposta passa pelo reforço da investigação aplicada, capaz de apoiar treinadores, atletas, federações e outras organizações desportivas na preparação física, avaliação do rendimento e optimização dos processos de treino.
Neste contexto, destacou a necessidade de aproximar a investigação científica das necessidades concretas do sector, criando oportunidades de colaboração com clubes, selecções nacionais e instituições ligadas à actividade física e ao desporto.

Complexo desportivo entre as prioridades

A modernização das infra-estruturas constitui outro eixo estratégico para o crescimento da ESCIDE.
A proposta prevê a continuidade da requalificação das Áreas 1 e 2 do Complexo Desportivo da UEM, com a integração de campos de futebol, pavilhões e outras instalações destinadas ao ensino, investigação e prática desportiva.
A concretização deste projecto deverá contribuir para melhorar as condições de formação dos estudantes, ampliar as possibilidades de investigação aplicada e reforçar a capacidade da Universidade de prestar serviços especializados ao sector desportivo.
Paralelamente, a Escola pretende expandir a formação pós-graduada, promover o empreendedorismo e criar melhores condições de empregabilidade para os seus graduados.

ESCIDE formou 229 profissionais

O balanço apresentado pelo docente Bonomar Adriano Macuácua revela que a ESCIDE registou 203 graduados em licenciatura, entre 2017 e 2025, e 26 mestres, entre 2023 e 2026, totalizando 229 profissionais formados nos dois níveis de ensino.
Os graduados têm vindo a afirmar-se em diferentes áreas do desporto moçambicano, com destaque para a preparação física, gestão desportiva, comentário especializado e apoio técnico às selecções nacionais.
Macuácua recordou que o percurso institucional da ESCIDE está ligado à evolução do desporto na Universidade, cujas raízes remontam a 1963, com a criação da Associação Académica de Moçambique.
Seguiram-se a criação do Departamento de Cultura e Desporto, em 2000, e do Centro de Desenvolvimento do Desporto e Educação Física, em 2005, estruturas que antecederam a criação oficial da ESCIDE, em 2010.
A Escola iniciou as suas actividades em 2011, enfrentando dificuldades relacionadas com a ausência de instalações próprias, a dimensão das primeiras turmas e a limitada experiência profissional do corpo docente.
Apesar destes constrangimentos, a instituição consolidou, progressivamente, a sua actividade académica, através de reformas curriculares, realização de conferências científicas e introdução do Mestrado em Ciências do Desporto, em 2021.

Internacionalização para elevar qualidade da formação

A ESCIDE pretende, igualmente, alargar a sua presença internacional, através de parcerias com universidades, centros de investigação e organizações desportivas de África, América Latina e Europa.
A estratégia visa promover a mobilidade académica, desenvolver projectos conjuntos de investigação, reforçar a qualificação do corpo docente e facilitar o acesso a experiências e tecnologias utilizadas na preparação desportiva de alto rendimento.
Para Paulo Gumede, a internacionalização deverá contribuir para elevar a qualidade da formação e aproximar a instituição dos padrões científicos e tecnológicos internacionais.
Apesar dos avanços registados, a ESCIDE enfrenta desafios relacionados com a insuficiência de infra-estruturas e equipamentos, a necessidade de dinamizar a investigação científica, a aproximação ao mercado de trabalho e a diversificação das fontes de financiamento.
O Director considera que a superação destes constrangimentos exige maior articulação institucional, mobilização de parcerias e envolvimento de toda a comunidade académica.
Quinze anos após a sua criação, a ESCIDE procura, assim, passar de uma instituição predominantemente orientada para a formação de profissionais a um centro de referência na investigação, inovação e prestação de serviços científicos, capaz de contribuir, directamente, para a melhoria do rendimento desportivo e o desenvolvimento do desporto moçambicano.