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I Congresso Cultivar O Futuro: Peritos buscam soluções para uma agricultura sustentável em Moçambique

Instituições académicas, sociedade civil e Governo reunira-se, hoje (16/04), no Campus Principal da UEM, em Maputo, no “I Congresso Cultivar o Futuro: Inovação, Tecnologia, e Governança Agrícola”, focado para encontrar soluções para uma agricultura que seja mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas, no país.

Tendo em conta o evoluir dos desafios climáticos e económicos, o congresso reúne especialistas e tomadores de decisão para explorar como a inovação, a tecnologia digital e uma governação robusta podem transformar o panorama agrícola moçambicano, de um sistema de produção sustentáveis ​​à eficiência de alta tecnologia no campo.

Na abertura do encontro, o Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Abubacar Paulo Batista, elencou a baixa produtividade, a elevada vulnerabilidade climática, o acesso limitado ao financiamento e a fraca ligação aos mercados como desafios que continuam a condicionar o desenvolvimento do sector agrário no país.

A estes desafios, juntam-se infraestruturas insuficientes e uma fragmentação institucional que dificulta a coordenação eficaz das intervenções, todavia, entende que a realização do congresso constitui uma oportunidade para reflexão.

Perante uma plateia composta por peritos que intervêm directa ou indirectamente no sector agrário em Moçambique, o dirigente fez saber que o actual executivo possui um plano ambicioso para o sector agrário, no país, nos próximos 10 anos, com destaque para a construção de um sector resiliente competitivo e inclusivo capaz de assegurar a soberania alimentar e impulsionar o crescimento económico sustentável.

Trata-se de uma visão que se traduz em metas concretas e mensuráveis, nomeadamente alcançar pelo menos 80 por cento de auto-suficiência alimentar nos produtos da sexta básica, reduzindo significativamente a dependência externa; produzir cerca de 400 mil toneladas de pescado em regime de aquacultura; restaurar um milhão de hectares florestas; reduzir cerca de 170 milhões de toneladas de dióxido de carbono/ano reforçando o contributo do sector para a mitigação das mudanças climáticas.

Incluem também a redução da taxa de desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos, de 37 por cento para pelo menos 20 por cento, um passo considerado decisivo para o desenvolvimento humano, entre outros.

O governante admite que, estes desafios, exigem conhecimento, inovação e compromisso, pelo que, o papel das universidades e das organizações da sociedade civil e dos parceiros internacionais torna-se crucial para a sua materialização.

Na ocasião, a Embaixadora da Espanha em Moçambique, Teresa Vidal, fez notar que quase todos os relatórios sobre Moçambique destacam o potencial que o país tem em vários sectores. Todavia, ela entende que é chegada hora de abandonar a narrativa sobre as potencialidades que o país possui e focar na produção propriamente dita. “O país deve falar do que está a produzir concretamente e não apenas das suas potencialidades”, disse.

Louvou a iniciativa do Governo de Moçambique que decidiu avançar para a construção de um sector agrícola que seja resiliente, inclusivo e sustentável.

Na sua intervenção, a Vice-Reitora académica da UEM, Prof.ª Doutora Amália Uamusse, referiu que o congresso permite conectar o conhecimento técnico e inovação aplicada com as políticas públicas, optimizar a eficiência produtiva e reforçar a resiliência do sector agrário perante os desafios das alterações climáticas.

Sublinhou que a realização do evento no Campus Universitário reafirma o posicionamento da UEM como um espaço privilegiado de diálogo científico, técnico, institucional e de promoção da inovação em prol do bem-estar social.

O Director geral do CESAL Moçambique, entidade organizadora do evento, Marcos Regaterro, destacou o contributo da sua organização no desenvolvimento do sector agrário no país.

O I Congresso “Cultivar o Futuro” tem como painéis temáticos Governança e Alianças: Construindo o Futuro do Setor Agrícola; Sistemas Agrícolas Sustentáveis: Produção e Resiliência; e Tecnologia a Serviço do Campo: Eficiência e Inovação.

O evento é organizado pela ONG CEISAL e conta como parceiros a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Lúrio, em Moçambique, e a Universidade de Córdoba, da Espanha.