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Mazula lança “A Universidade na lupa de três olhos: ética, investigação e paz”

mazulaoO académico Brazão Mazula lançou esta quinta-feira o livro “A Universidade na lupa de três olhos: ética, investigação e paz”. A obra, de 103 páginas, prefaciada pelo Reitor da UEM, Orlando Quilambo, traz uma reflexão sobre estes elementos abordados nesta instituição por Mazula em três ocasiões distintas, tendo falado da ética universitária numa Oração de Sapiência; da investigação na reflexão sobre os 50 anos do ensino superior em Moçambique; e da paz quando o país celebrou 20 anos de paz.
No primeiro tema, o antigo Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (1995-2007) destaca a importância da ética universitária, sobretudo do docente na relação com os estudantes e a sociedade. Mazula traça o perfil do docente. Este profissional, nas palavras do académico, deve ser humilde e manter com os seus estudantes uma relação amigável.
Mazula considera a investigação, tema abordado na reflexão sobre os 50 anos do ensino superior em Moçambique, o “metabolismo da universidade”, e faz um alerta aos docentes: “Não confundam consultorias com investigação. A tarefa de uma universidade é ensinar ciência, mas sobretudo ensinar a fazer ciência”, defendeu.
Perante uma plateia composta por dirigentes políticos, docentes e estudantes das diferentes faculdades da UEM, instituições de ensino superior do país, o Provedor de Justiça, José Abudo, entre outras figuras públicas, Mazula apelou ao Governo e às instituições privadas a apoiarem a investigação para que Moçambique conheça realmente um “desenvolvimento sustentável.”
No tema sobre a paz, o académico chama as universidades a trazerem soluções para as guerras. “As universidades africanas durante muito tempo esquivaram-se dos problemas políticos. Entregaram a política aos políticos - que é tarefa destes - mas a universidade é responsável por reflectir e investigar as causas dos conflitos”, sublinhou Mazula.
livro-mazulaArgumentando, o autor de “A universidade na lupa de três olhos: ética, investigação e paz” afirmou que não é intromissão investigar as causas dos conflitos e apresentar propostas para que haja paz no país.
Entretanto, presente no evento, o Vice-Reitor para Administração e Recursos da Universidade Eduardo Mondlane, Ângelo Macuácua, disse esperar que, Mazula ao publicar novas obras inspire outros docentes a “tirarem das gavetas os seus manuscritos para transformarem-nos em publicações”.
Segundo Macuácua, a obra “A universidade na lupa de três olhos: ética, investigação e paz” vai enriquecer a produção científica da UEM. Esta é a 14ª obra deste académico.
Brazão Mazula disse dedicar a obra a Gilles Cistac, assassinado em Março deste ano em Maputo, afirmando que os que o mataram confundiram-se na análise sobre seu pensamento, relegando-o do campo do debate de ideias para o pessoal.

Para Mazula, os mandantes do assassínio “iludiram-se” ao pensar que com a morte de Cistac também eliminariam o pensamento. Lembrou que o constitucionalista era um “exemplo de investigador que de forma isenta soube entregar-se a causa moçambicana.” Disse ainda, que trabalhou com Cistac em “momentos difíceis da história do país” e que deste aprendeu “bastante sobre a importância da isenção histórica” na mediação de conflitos.
“Dedico, de propósito, o livro ao Professor Catedrático Gilles Cistac porque enquadro-o na lista daqueles cujo pensamento pensa o pensamento e não pessoas. Acho que este é o papel do investigador”, disse.
Além de ter sido Reitor da UEM, Brazão Mazula foi presidente da Comissão Nacional de Eleições. Actualmente lecciona na Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane.