
Horizonte Europa–África abre nova era para a investigação moçambicana
As instituições de ensino superior africanas, incluindo as moçambicanas, dispõem, agora, de uma oportunidade concreta para elevar a investigação científica a novos patamares de excelência e relevância social. Foi neste contexto que decorreu, esta Sexta-feira (27/02), no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, o workshop de divulgação da iniciativa Horizonte Europa – África, instrumento de financiamento da União Europeia concebido para impulsionar soluções científicas e tecnológicas capazes de responder aos grandes desafios globais.
O programa, enquadrado no Horizonte Europa (2026 – 2027), aposta no financiamento competitivo de projectos nas áreas das alterações climáticas, saúde pública, segurança alimentar, transformação digital, energia sustentável e inclusão social – sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável de África.
Para Moçambique, a participação no programa representa mais do que acesso a financiamento: constitui uma plataforma de integração científica internacional, de reforço das capacidades institucionais e de valorização do capital humano nacional. Entre os principais impactos esperados destacam-se o fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a inserção de investigadores moçambicanos em consórcios internacionais de excelência, a promoção da mobilidade científica e o aumento da visibilidade da produção científica nacional no cenário global.
Na abertura do evento, o Director-Geral do Fundo Nacional de Investigação (FNI), Prof. Doutor Florêncio Maulano, em representação do Ministério da Educação e Cultura, sublinhou que a participação de Moçambique no Horizonte Europa constitui uma oportunidade estratégica para alinhar as prioridades nacionais com as agendas internacionais de investigação. Segundo afirmou, trata-se de um mecanismo que permite às instituições nacionais apresentar propostas que respondam directamente aos desafios concretos das comunidades locais, ao mesmo tempo que elevam os padrões de qualidade científica.
O dirigente destacou ainda que a integração qualificada das instituições moçambicanas no programa poderá impulsionar a investigação colaborativa orientada para os desafios sociais, estimular a inovação tecnológica e reforçar a competitividade académica do país.
Por sua vez, a Vice-Reitora Académica da UEM, Prof.ª Doutora Amália Uamusse, reafirmou o compromisso institucional da Universidade com a excelência no ensino, na investigação, na inovação e na extensão universitária, reconhecendo que o conhecimento científico constitui um dos principais motores da transformação económica e social. Para a dirigente, o Horizonte Europa – África surge como um instrumento estruturante para consolidar a internacionalização da UEM e ampliar o seu contributo para o desenvolvimento sustentável.
O representante da Delegação da União Europeia em Moçambique, Dr. Michele Crimelle, salientou que, num contexto global marcado por incertezas geopolíticas, mudanças climáticas e rápidas transformações tecnológicas, a investigação científica desempenha um papel central na construção de sociedades resilientes. “Perante incertezas geopolíticas, perturbações climáticas e rápidas transformações tecnológicas, a nossa resposta deve ser cooperativa, baseada no conhecimento e orientada para o futuro”, afirmou.
O responsável acrescentou que Moçambique é um parceiro estratégico da União Europeia no espaço da SADC e que a cooperação em investigação fortalece os laços económicos, políticos e científicos, assegurando que a transformação tecnológica esteja directamente ligada ao desenvolvimento social e económico.
Durante o workshop foram apresentadas informações detalhadas sobre as oportunidades de financiamento disponíveis para 2026 e 2027, os mecanismos de candidatura, os critérios de elegibilidade e as estratégias que as universidades nacionais devem adoptar para estruturar propostas competitivas e estabelecer parcerias internacionais sólidas.
