
ESCIDE questiona decisões da CAF em debate sobre “verdade desportiva”
Investigadores da área das Ciências do Desporto defendem que o abandono do campo por parte da Seleção do Senegal configura uma violação das regras estruturais e do regulamento disciplinar, tratando-se, portanto, de uma questão disciplinar, e não de uma decisão técnica tomada dentro das quatro linhas.
Segundo os especialistas, há informações que indicam que o árbitro poderá ter recebido “instruções institucionais” para evitar a expulsão de jogadores senegaleses, com o objectivo de garantir a continuidade do espetáculo.
Essas posições foram apresentadas pelos principais oradores da Mesa-Redonda intitulada “O caso da retirada da vitória do Senegal sobre Marrocos: um olhar ao debate atinente à verdade desportiva”, organizada nesta Quarta-feira pela Escola Superior de Ciências do Desporto da UEM (ESCIDE), no âmbito da Indução Académica 2026.
Na ocasião, o docente da ESCIDE, Prof. Doutor Gil Chuquel, afirmou que o regulamento de competições da CAF estabelece que as decisões tomadas pelo árbitro durante a partida não estão sujeitas a protestos ou alterações posteriores.
“Estamos perante uma situação que reforça o princípio geral da presunção de veracidade dos factos constantes nos relatórios das equipas de arbitragem”, destacou.
O académico explicou ainda que decisões como a anulação do golo do Senegal e a marcação de uma grande penalidade a favor de Marrocos não podem ser posteriormente contestadas com base em novas imagens, sob pena de se comprometer a autoridade do árbitro.
“A decisão de não sancionar imediatamente o Senegal foi legítima, à luz do princípio da autoridade do árbitro”, acrescentou.
Por sua vez, o jornalista desportivo e representante da plataforma LanceMZ, Alfredo Júnior, considerou que a disputa pelo título continental evoluiu para um verdadeiro embate jurídico entre Senegal e Marrocos, colocando em causa a credibilidade da Confederação Africana de Futebol (CAF).
“Enquanto o Senegal reivindica a vitória conquistada em campo, Marrocos exige administrativamente o título, alegando a desistência temporária do adversário durante a partida”, afirmou.
O jornalista revelou ainda que a crise no futebol africano teve início antes mesmo da final, apontando falhas logísticas significativas. Segundo explicou, a delegação senegalesa foi alojada em instalações não aprovadas pela CAF, o que comprometeu a sua organização à chegada a Rabat.
Outro ponto de tensão destacado foi a alegada violação do princípio da igualdade, uma vez que o Senegal contestou a utilização do Complexo Desportivo Mohammed VI como local de treinos, por também ser utilizado pela seleção marroquina, levantando suspeitas de possível espionagem tática.
O evento na ESCIDE contou com a participação de estudantes, investigadores, docentes e atletas de diferentes clubes e modalidades, promovendo um debate crítico em torno da integridade e da verdade no desporto.
