
UEM e Suécia lançam novo programa de cooperação em pesquisa

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e o Governo da Suécia lançaram, esta Terça-feira (22/09), o novo Programa UEM-Suécia 2026–2028, uma iniciativa que poderá potenciar a transformação da UEM numa Universidade de Investigação, através do fortalecimento das capacidades de investigação e inovação.
O lançamento oficial da nova forma de financiamento decorreu em simultâneo com a cerimónia de encerramento do Programa UEM-Suécia 2017–2026. O evento enquadra-se na cooperação entre os Governos de Moçambique e da Suécia para o fortalecimento da pesquisa na Universidade, através da formação de docentes e investigadores a nível de pós-graduação, aquisição de equipamentos laboratoriais, modernização e construção de laboratórios e centros de investigação.
No seu discurso, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, disse que a décima fase do programa, que decorreu de 2017 a 30 de junho de 2026, possibilitou a formação de cerca de 60 doutorados e 150 mestres, além de aprimorar a infraestrutura necessária para uma universidade de intensa actividade de pesquisa, incluindo serviços de biblioteca, sistemas de TIC e mecanismos internos de garantia da qualidade.
“A formação de doutores aumentou a sua proporção no corpo docente e investigador, de 20% em 2017 para 27% em 2026, enquanto a formação de mestres contribuiu para reduzir a proporção de docentes com nível de licenciatura, de 32% para 25%”.
Explicou que, embora ainda aquém da meta de pelo menos 50% de doutores no corpo docente e investigador, este crescimento contribuiu para um aumento significativo da produção científica.
“O número de publicações indexadas em bases científicas internacionais passou de cerca de 200 por ano, no período de 2010–2017, para cerca de 380 por ano, entre 2017 e 2026”.
O Reitor reconheceu que, hoje em dia, graças ao Programa, a Universidade está mais digitalizada, dispõe de melhor acesso ao acervo bibliográfico e tem maior capacidade para realizar investigação e oferecer cursos de graduação e pós-graduação do que em 2017.
“Indubitavelmente, o apoio da Suécia ao reforço do sistema de garantia da qualidade foi igualmente importante para estes avanços”.
Em relação à nova fase do Programa, Guilherme Júnior afirmou que a UEM quer criar, até 2028, as condições necessárias para que a Universidade funcione como uma universidade de investigação, em linha com o último ano de implementação do seu Plano Estratégico 2018–2028.
Entre as prioridades, destacou o reforço do financiamento e da gestão do ciclo da investigação, através da criação de um Grants Office funcional; o fortalecimento do sistema de inovação e transferência de conhecimento, de modo a transformar os resultados da investigação em soluções concretas; e a consolidação do ecossistema de TIC e da digitalização da UEM, incluindo o acesso ao acervo bibliográfico.
Reiterou que o financiamento da nova fase, 2026–2028, portanto, a décima primeira fase, representa mais uma demonstração do compromisso do Governo sueco em continuar a trabalhar com a Universidade e reflecte a confiança que deposita na instituição.
Por sua vez, o Embaixador da Suécia em Moçambique, Dr. Andrés Jato, disse que o Programa que terminou em junho corrente foi o maior de todos, tendo conectado a UEM a 15 universidades suecas e nove sul-africanas, contribuindo, assim, para a formação de 58 novos doutores e diversos mestres da Universidade Eduardo Mondlane.
“Estes graduados tornaram-se docentes, investigadores, médicos, empreendedores e líderes que contribuem para o desenvolvimento deste país”, disse.
Afirmou que a cooperação contribuiu também para o desenvolvimento de novas áreas académicas e de investigação, com destaque para Estudos de Género e Oncologia.
“Foram também feitos investimentos importantes na área de infraestrutura para sustentar uma Universidade de Investigação moderna, como são os casos da construção e reabilitação de bibliotecas, instalação de novas tecnologias e laboratórios”.
Destacou que esta última fase do Programa tem por objectivo apoiar a transformação da UEM numa Universidade de Investigação, procurando consolidar os investimentos anteriores e apoiar as mudanças organizacionais necessárias.
“Um dos principais componentes é a criação de um Gabinete de Mobilização de Fundos para Investigação, sendo que o seu sucesso irá fortalecer a capacidade de atrair financiamento, apoiar investigadores e aumentar a visibilidade e o impacto da investigação que contribui para o desenvolvimento do país”, acrescentou.