
Censo nacional confirma recuperação da população de elefantes e redução da caça furtiva
Estudo coordenado pela ANAC, com participação da UEM e parceiros, fornece evidências para reforçar as políticas de conservação da biodiversidade
Moçambique registou uma recuperação expressiva da população de elefantes e uma redução significativa da caça furtiva, revelam os resultados do Censo Nacional de Elefantes e Grandes Mamíferos 2025, divulgados na Sexta-feira (24/07), durante um seminário promovido pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), em coordenação com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e outros parceiros.
O estudo estima que o país possua, actualmente, cerca de 22.700 elefantes, mais do dobro dos 9.114 registados em 2018. Paralelamente, a proporção de carcaças de elefantes reduziu para 4,6 por cento, um dos principais indicadores da diminuição da caça furtiva e da eficácia das medidas de protecção da fauna bravia.
Pela primeira vez, a região Sul passou a concentrar a maior população de elefantes do país, ultrapassando as regiões Centro e Norte. Segundo os especialistas, este crescimento reflecte a consolidação da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, que facilita a circulação dos animais entre Moçambique, África do Sul e Zimbabué.
Apesar dos avanços, o Director-Geral da ANAC, Pejul Calenga, alertou que a conservação continua a enfrentar desafios relevantes, entre os quais a expansão desordenada dos assentamentos humanos, o avanço da agricultura, da exploração florestal, da pecuária e da mineração. “Esta realidade compromete a conectividade ecológica e agrava os casos de conflito entre as comunidades e a fauna bravia, exigindo respostas cada vez mais integradas e sustentáveis”, afirmou.
As regiões Norte e Centro também registaram crescimento da população de elefantes. No Norte, por exemplo, foram estimados 7.195 indivíduos, mantendo-se a Reserva Especial do Niassa como um dos principais refúgios da espécie, apesar dos constrangimentos de segurança que limitaram o levantamento em algumas áreas.
Segundo a ANAC, os resultados do censo constituem uma base científica essencial para a implementação da Estratégia Nacional e Plano de Acção para a Conservação da Diversidade Biológica, apoiando o planeamento, a monitoria e a gestão sustentável dos ecossistemas e das espécies prioritárias do País.
O Director da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da UEM, Prof. Doutor Ernesto Uetimane, destacou que a participação da Universidade evidencia a crescente capacidade científica da instituição para responder a desafios estratégicos do desenvolvimento nacional.
De acordo com o académico, “estes resultados representam uma oportunidade para a UEM, aprofundar o conhecimento sobre a fauna bravia, aperfeiçoar metodologias de censo e formar futuras gerações de cientistas e gestores da fauna bravia”.
Para a realização do censo, a UEM mobilizou uma equipa multidisciplinar que trabalhou em estreita colaboração com a ANAC e parceiros nacionais e internacionais, demonstrando a importância da cooperação entre a academia, as instituições públicas e os parceiros de desenvolvimento na produção de conhecimento aplicado à gestão dos recursos naturais.
Além de confirmar a recuperação das populações de elefantes, o estudo fornece informação estratégica para orientar políticas públicas, fortalecer a conservação da biodiversidade e promover uma gestão mais sustentável do património natural de Moçambique.