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Universidade Eduardo Mondlane

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Estratégia Nacional Da Inteligência Artificial: Universidades chamadas a liderar a transformação

As universidades moçambicanas terão de acelerar a transformação dos seus modelos de ensino, investigação e gestão para responder às exigências da futura Estratégia Nacional da Inteligência Artificial (IA), actualmente em elaboração. O alerta foi lançado pelo cientista político Prof. Doutor Dércio Tsandzana, que defendeu um papel mais activo das instituições de ensino superior na construção de um ecossistema nacional de inovação baseado em inteligência artificial.

Falando durante o X Seminário Pedagógico da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na palestra subordinada ao tema “Estratégia Nacional da Inteligência Artificial e Repercussões para as Instituições de Ensino Superior”, Tsandzana afirmou que a IA deixará de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se tornar um factor determinante da competitividade das universidades e da capacidade do país de formar profissionais preparados para os desafios da economia digital.

Segundo o académico, a implementação da Estratégia Nacional da IA exigirá que as universidades reforcem a investigação científica em áreas como inteligência artificial, ciência de dados, automação e transformação digital, consolidando-se como centros de produção de conhecimento e de desenvolvimento de soluções tecnológicas ajustadas às necessidades de Moçambique.

Mais do que acompanhar esta transformação, as universidades devem liderá-la, produzindo conhecimento, formando especialistas e criando inovação com impacto no desenvolvimento do país, defendeu.

Entre as principais vantagens da adopção da inteligência artificial no ensino superior, Tsandzana destacou a possibilidade de personalizar os processos de aprendizagem, acompanhar de forma mais eficaz o desempenho dos estudantes e optimizar tarefas administrativas, permitindo que docentes e investigadores dediquem mais tempo à produção de conhecimento.

Na investigação científica, referiu que a IA poderá acelerar a análise de grandes volumes de dados, apoiar revisões bibliográficas, identificar padrões complexos e aumentar, significativamente, a produtividade científica das instituições.

O potencial da inteligência artificial vai muito além da automatização de tarefas. Trata-se de uma oportunidade para elevar a qualidade da investigação, da inovação e dos serviços prestados pelas universidades – alertou.

Ética, inclusão e governação são desafios incontornáveis

Apesar das oportunidades, Tsandzana alertou que a adopção da inteligência artificial deve ser acompanhada por mecanismos robustos de regulação, ética e inclusão, de modo a garantir que a tecnologia seja utilizada de forma responsável e em benefício da sociedade.

Na sua perspectiva, a Estratégia Nacional da IA deverá resultar de um processo participativo, envolvendo Governo, universidades, sector privado, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento, para assegurar que as políticas públicas respondam aos desafios específicos do contexto moçambicano.

O sucesso da estratégia dependerá da capacidade de integrar diferentes perspectivas e de preparar o país para uma utilização ética, inclusiva e responsável da inteligência artificial, sublinhou.

Ao abordar a realidade da Universidade Eduardo Mondlane, o investigador destacou que a instituição já dispõe de experiências relevantes na digitalização de processos académicos, como a gestão de notas e a emissão electrónica de certificados, demonstrando que possui uma base importante para incorporar soluções assentes em inteligência artificial.

Para Tsandzana, a futura Estratégia Nacional da IA representa uma oportunidade para que as universidades reforcem o seu papel como motores da inovação, contribuindo não apenas para a formação de quadros altamente qualificados, mas também para o desenvolvimento de tecnologias capazes de responder aos principais desafios económicos e sociais de Moçambique.