
Face ao défice Orçamental: Alumni defendem inovação para superar crise financeira nas universidades
As instituições de ensino superior precisam de adoptar estratégias mais ousadas e inovadoras para incrementar a arrecadação de receitas e reduzir a dependência do Orçamento do Estado.
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM), por exemplo, precisa de rever o regime de autonomia financeira, de modo que a Conta Única do Tesouro não funcione como uma barreira às iniciativas de mobilização de recursos. Deve, igualmente, intensificar a cooperação com instituições governamentais e mobilizar recursos internamente através da racionalização e modernização dos processos administrativos e de gestão académica.
Estas ideias foram defendidas pelos oradores da palestra alusiva ao Dia do Alumni, organizada nesta Quarta-feira (17/06) pela Faculdade de Economia da UEM, sob o tema “Financiamento das Instituições Públicas de Ensino Superior em Épocas de Crise”.
O antigo Vice-Reitor e alumni da UEM, Prof. Doutor Ângelo Macuácua, afirmou que, em 2014, o Estado financiava cerca de dois mil dólares por estudante da UEM, valor que caiu para aproximadamente 800 dólares em 2024.
“Este corte evidencia o enfraquecimento da capacidade de implementação de políticas públicas de financiamento do ensino superior e a crescente vulnerabilidade da Universidade perante a crise económica”, afirmou.
Segundo o académico, a situação é ainda mais preocupante no que diz respeito à estrutura das despesas financiadas pelo Orçamento do Estado. Em 2014, 58 por cento dos recursos destinavam-se a salários, 25 por cento a despesas correntes e 17 por cento ao investimento.
“Dez anos depois, 80 por cento do Orçamento do Estado destinava-se aos salários, 12 por cento às despesas correntes e zero por cento ao investimento”, referiu.
Macuácua destacou que, neste contexto de crise, a Universidade passou a funcionar essencialmente para garantir a sobrevivência académica, vendo reduzida a sua capacidade de inovar nos laboratórios, bibliotecas e equipamentos. Como consequência, a qualidade académica é afectada, os recursos pedagógicos tornam-se insuficientes e a equidade social é comprometida pela redução das bolsas de estudo.
O antigo Vice-Reitor reconheceu que, para minimizar os efeitos da crise, a UEM tem implementado várias iniciativas, destacando-se a oferta de cursos pagos, a investigação financiada por parceiros e a realização de actividades geradoras de receitas, como consultorias e a criação de instituições vocacionadas para a mobilização de recursos.
“Os resultados foram e continuam a ser positivos. Contudo, a sua contribuição para o orçamento global ainda é modesta, uma vez que a dependência do Orçamento do Estado permanece elevada. Além disso, a queda acentuada das parcerias externas revela a necessidade de uma aposta mais forte na internacionalização”, destacou.
Por sua vez, o Doutor Luciano da Conceição Cordeiro, também alumni da UEM, assegurou que algumas medidas para minimizar os efeitos da crise financeira já estão a ser implementadas pela Universidade, com destaque para a adopção de energia solar, visando reduzir os custos de funcionamento dos laboratórios e de outras infra-estruturas.
“A questão da segurança de dados é igualmente relevante, pois permite a protecção de todas as informações institucionais, sejam elas dos estudantes, dos docentes ou das bibliotecas virtuais que poderão ser criadas”, referiu.
Na ocasião, o Prof. Doutor Manuel Silvestre, falando em representação da directora da Faculdade de Economia, afirmou que, com este evento, a Faculdade abre as portas para que os seus antigos estudantes partilhem conhecimentos e experiências com os mais novos.
“O vosso conhecimento prático é insubstituível. A vossa rede de relações constitui um activo que pertence também a esta Faculdade e às gerações que ainda estão por vir”
