
Futuro Energético de Moçambique: Banco Mundial escolhe a UEM para liderar debate
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) acolheu, na Terça-feira (09/06), uma visita de alto nível da liderança do Grupo Banco Mundial, que escolheu o Centro de Estudos de Engenharia e Tecnologia de Petróleo e Gás (CS-OGET) como palco de um diálogo estratégico sobre o desenvolvimento de competências para o futuro energético de Moçambique.
A iniciativa reuniu representantes do Governo de Moçambique, líderes da indústria energética, instituições de ensino e parceiros de desenvolvimento para discutir formas de alinhar a formação de recursos humanos às crescentes necessidades dos sectores de energia, mineração, industrialização e infra-estruturas, num contexto em que o país é visto como um dos principais destinos de investimento energético em África.
A escolha da UEM para acolher o encontro reflecte o reconhecimento do papel, cada vez mais relevante, da Universidade na formação de quadros especializados, na investigação aplicada e na promoção da inovação para responder aos desafios do desenvolvimento económico nacional.
A delegação do Banco Mundial foi liderada pelo Director-Geral e Chief Knowledge Officer do Grupo Banco Mundial, Paschal Donohoe, e pelo Vice-Presidente para a África Oriental e Austral, Dr. Ndiamé Diop, que interagiram com estudantes, docentes e investigadores da UEM sobre os desafios e oportunidades associados à preparação da força de trabalho para a economia energética emergente.
Durante a visita, foram apresentadas experiências de aprendizagem aplicada, desenvolvidas no CS-OGET, bem como soluções tecnológicas baseadas em Inteligência Artificial, destinadas a melhorar a qualidade do ensino e facilitar a transição dos estudantes para o mercado de trabalho. Entre as inovações demonstradas, destacam-se um assistente virtual para professores do ensino primário, um tutor digital para estudantes do ensino secundário e uma ferramenta de orientação vocacional baseada em IA, concebida para apoiar os jovens na escolha de percursos formativos alinhados às exigências do mercado.
O encontro enquadra-se nos esforços do Grupo Banco Mundial para apoiar a agenda nacional de desenvolvimento do capital humano, através de programas estruturantes como a Missão 300 (M300), que pretende garantir acesso à energia a 300 milhões de pessoas em África até 2030, o programa AIM4Learning, implementado em Moçambique, através do Projecto Integrado de Desenvolvimento Humano (INTEGRA), e o programa Skills for Economic Transformation and Jobs (SET4Jobs), operacionalizado no país através do MozJobs.
Estas iniciativas procuram criar uma ligação efectiva entre a aprendizagem fundamental, a formação técnica e a criação de emprego, assegurando que os jovens adquiram competências compatíveis com as exigências dos sectores económicos estratégicos.
Num segundo momento da visita, a UEM acolheu um diálogo de alto nível subordinado ao tema “Competências para o Futuro Energético de Moçambique”, reunindo ministros, representantes do sector privado, empregadores e parceiros de desenvolvimento. O debate incidiu sobre as necessidades de mão-de-obra resultantes da expansão dos sectores energético e industrial, a harmonização dos currículos académicos com as necessidades dos empregadores, a certificação profissional, os estágios e a formação em contexto de trabalho.
Particular destaque foi dado à necessidade de aumentar a participação da juventude moçambicana e das mulheres nas profissões técnicas e qualificadas, consideradas essenciais para garantir uma maior inclusão nos benefícios dos grandes investimentos em curso no país.
Director-Geral do Banco Mundial enaltece aliança entre academia e indústria
O Director-Geral do Banco Mundial, Paschal Donohoe, defendeu o reforço das parcerias entre instituições de ensino superior e o sector empresarial como uma estratégia fundamental para acelerar o desenvolvimento do capital humano, promover a inovação e responder aos desafios do sector energético em Moçambique.
A posição foi apresentada durante um encontro de alto nível que reuniu representantes da academia, do sector privado e de instituições estratégicas da economia nacional, incluindo a representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Laura Manhiça, o Presidente do Conselho de Administração da CFM Logistics, Eng.° Joaquim Zucule, e o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo (INP), Eng.° Nazário Bangalane.
Na sua intervenção, Paschal Donohoe sublinhou que o fortalecimento das ligações entre a academia e a indústria é determinante para garantir que os estudantes desenvolvam competências alinhadas às exigências actuais e futuras do mercado de trabalho. Segundo o responsável, a aproximação entre os dois sectores permite não apenas reduzir a distância entre a formação académica e a prática profissional, mas também criar condições para o surgimento de soluções inovadoras capazes de responder aos desafios da transformação energética.
O Director-Geral do Banco Mundial destacou ainda que a co-criação entre universidades, empresas e instituições públicas representa um modelo eficaz para a formação de profissionais mais qualificados, preparados para liderar processos de desenvolvimento sustentável e contribuir para o crescimento económico do país.
Num contexto marcado pela rápida evolução tecnológica e pela crescente procura de competências especializadas, Donohoe defendeu que o investimento em parcerias constitui um dos pilares para o fortalecimento da competitividade nacional e para a consolidação de um sector energético mais resiliente e inovador.
UEM destaca resultados dos investimentos em formação e investigação
Intervindo na abertura da mesa-redonda, a Vice-Reitora Académica da UEM sublinhou que os desafios da formação de competências para o futuro energético exigem uma forte articulação entre a academia, o Governo, os parceiros de desenvolvimento e o sector produtivo.
A dirigente destacou os impactos alcançados através de programas apoiados pelo Banco Mundial, como os Centros de Excelência Africanos (ACE II) e o MozSkills, que contribuíram para reforçar a capacidade institucional da Universidade e aproximar a formação académica das exigências do mercado.
Como exemplo, apontou o desempenho do CS-OGET, que se consolidou como uma referência nacional e regional na formação de especialistas para os sectores de petróleo, gás, energia e sustentabilidade.
Nos últimos anos, o Centro formou mais de duas centenas de estudantes ao nível de mestrado, apoiou programas de doutoramento, capacitou profissionais do sector energético e reforçou infra-estruturas laboratoriais destinadas ao ensino, investigação e simulação tecnológica.
A Vice-Reitora destacou ainda que a experiência acumulada demonstra a importância da participação activa da indústria no desenho dos programas académicos, permitindo o desenvolvimento de estágios, investigação conjunta e soluções orientadas para desafios concretos das empresas.
Ministra da Educação defende formação para o emprego
A Ministra da Educação e Cultura considerou que o desenvolvimento de competências para os sectores estratégicos da economia exige uma mudança de paradigma na relação entre instituições de ensino e sector privado.
Segundo a governante, o programa MozJobs representa uma nova abordagem para a formação profissional em Moçambique, ao colocar as empresas no centro do processo de definição das competências necessárias ao mercado de trabalho. “O MozJobs representa uma nova abordagem para o desenvolvimento de competências, baseada numa colaboração efectiva entre o Governo, as instituições de formação e o sector privado”, afirmou.
A ministra explicou que o programa procura reduzir o desfasamento entre a oferta formativa e as necessidades reais dos empregadores, promovendo uma participação mais activa das empresas na concepção curricular, na realização de estágios, na actualização de docentes e no financiamento de iniciativas de formação.
Acrescentou que sectores como energia, agronegócio, turismo, logística e construção exigirão, nos próximos anos, profissionais altamente qualificados, tornando indispensável uma articulação mais estreita entre o sistema educativo e a economia.
Juventude e mulheres no centro das oportunidades da transição energética
Um dos principais consensos do encontro foi a necessidade de garantir que a expansão dos sectores energético e industrial se traduza em oportunidades concretas para os jovens moçambicanos.
Os participantes defenderam um maior investimento em programas de formação técnica, certificação profissional, estágios e aprendizagem em contexto de trabalho, capazes de facilitar a integração dos jovens no mercado laboral.
Foi, igualmente, destacada a importância de aumentar a participação das mulheres em áreas técnicas e tecnológicas tradicionalmente dominadas por homens, assegurando uma inclusão mais ampla nos benefícios dos grandes investimentos em curso no país.
