
UEM, Brasil e MEC reforçam cooperação para implantação do CEFLOMA II em Mabalane
A Universidade Eduardo Mondlane, a Embaixada do Brasil em Moçambique e o Ministério da Educação e Cultura assinaram, na Sexta-feira (22), em Maputo, uma adenda ao projecto “Fortalecimento do Centro Agroflorestal de Mabalane (CEFLOMA II)”, iniciativa voltada para o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental em zonas áridas e semiáridas do país.
O projecto pretende reforçar a gestão sustentável dos recursos naturais, promover a conservação ambiental e formar quadros especializados na área agroflorestal.
No âmbito do acordo, serão implementadas, ao longo dos próximos três anos, metodologias inovadoras de gestão ambiental orientadas para a redução do desmatamento e da degradação da floresta nativa. As acções incluem ainda medidas de mitigação dos impactos ambientais negativos, bem como estratégias para ampliar o acesso e a distribuição de água às comunidades locais.
A iniciativa prevê, igualmente, a introdução de tecnologias modernas para optimizar o processo de produção de carvão vegetal e incentivar práticas ambientalmente responsáveis, contribuindo para a melhoria das condições de vida das populações.
Após a assinatura do documento, a Ministra da Educação e Cultura, Prof.ª Doutora Samaria Tovela, afirmou que Moçambique perde, anualmente, cerca de 267 mil hectares de floresta, o equivalente a uma taxa de desflorestação de, aproximadamente, 0,69%, uma das mais elevadas do continente africano.
Referindo-se especificamente ao distrito de Mabalane, a governante destacou que a exploração contínua da vegetação, associada às condições climáticas áridas e aos efeitos das mudanças climáticas, compromete a regeneração natural da cobertura vegetal, tornando urgente a adopção de medidas eficazes de conservação e maneio sustentável.
Segundo a dirigente, o projecto permitirá a transferência de tecnologias agroflorestais adaptadas às regiões áridas e semiáridas, com enfoque no controlo e na redução da degradação ambiental em Mabalane, província de Gaza. “Trata-se de uma iniciativa estratégica que surge num contexto em que os desafios ambientais exigem respostas inovadoras, sustentáveis e cientificamente fundamentadas”, afirmou.
Acrescentou ainda que o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane e da Universidade Federal do Paraná demonstra a importância da cooperação académica e científica na busca de soluções concretas para os desafios ambientais.
Na ocasião, o Embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra, garantiu que, actualmente, o Brasil considera Moçambique um dos seus principais parceiros de cooperação no mundo, mantendo com o país diversos projectos conjuntos, incluindo no domínio académico.
Por sua vez, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, explicou que a instituição dispõe, através da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF), de um centro experimental em Mabalane, dedicado à investigação em zonas áridas e semiáridas. O espaço apoia actividades práticas de estudantes, recolha de dados para investigação científica, formação das comunidades locais e promoção da agricultura sustentável.
A Agência Brasileira de Cooperação será responsável pela coordenação e acompanhamento das actividades do projecto, enquanto a Universidade Federal do Paraná executará as acções previstas. Em Moçambique, o Ministério da Educação e Cultura coordenará o projecto, cabendo à Universidade Eduardo Mondlane a implementação das actividades.
