Universidade Eduardo Mondlane

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AUSTERIDADE NA UEM : 3,7 mil milhões em gestão apertada

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) vai gerir, em 2026, um orçamento global de 3,7 mil milhões de meticais, num contexto marcado por restrições financeiras e necessidade de maior racionalização da despesa pública.

Do montante total, 74% são financiados pelo Estado, vincando o papel central do Orçamento do Estado no funcionamento da maior instituição de ensino superior do país. As restantes fontes de financiamento incluem receitas próprias (18%), doações (5%) e créditos (3%).

A informação foi avançada na Segunda-feira (02/03), durante a cerimónia de abertura do Exercício Económico 2026, momento que marcou o arranque formal da gestão financeira da instituição para o presente ano.

Receitas próprias estimadas em 673 milhões de meticais

Para este exercício, a UEM prevê arrecadar cerca de 673 milhões de meticais em receitas próprias, provenientes essencialmente de propinas de cursos pós-laborais e de pós-graduação; prestação de serviços e venda de materiais; patrocínio de eventos; doações e outras fontes complementares.

Na ocasião, o Vice-Reitor para Administração e Recursos, Prof. Doutor Mohsin Sidat, alertou que o orçamento de 2026 sofreu uma redução significativa na componente de Gastos Correntes, cenário que limita a margem de manobra financeira da instituição.

Segundo explicou, o contexto actual não permite a habitual alocação interna de fundos às unidades orgânicas para execução integral das actividades planificadas, sendo possível apenas responder a necessidades consideradas prioritárias.

A situação é agravada por um défice estrutural. Na componente de Bens e Serviços, o valor líquido aprovado é de 112,52 milhões de meticais, enquanto as despesas anuais previstas atingem 106,19 milhões de meticais. A este montante acresce uma dívida transitada de 2025 no valor de 36,47 milhões de meticais, elevando as necessidades totais para 142,66 milhões de meticais – valor superior à dotação disponível.

O Vice-Reitor sublinhou que este cenário exigirá “engenharia financeira”, maior rigor na definição de prioridades e alinhamento estrito com os eixos do Plano Estratégico da UEM. “Vamos continuar a pautar-nos por medidas de contenção de gastos e racionalização da despesa pública, sem comprometer as grandes acções que a Universidade se propôs desenvolver”, afirmou.

Entre os desafios adicionais apontados pela Direcção de Finanças, através do Mestre Basílio Orton Malipa, destacam-se a introdução do seguro de saúde; a cobertura de despesas com combustível; o financiamento de aulas práticas; e o apoio à alimentação estudantil.