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ABERTURA DO ANO ACADÉMICO: Natasha Ribeiro defende universidade crítica e orientada para a investigação

ABERTURA DO ANO ACADÉMICO

A docente e investigadora da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Professora Doutora, Natasha Ribeiro, defendeu que a universidade deve se afirmar como um espaço privilegiado de produção de conhecimento, pensamento crítico e defesa inabalável da liberdade académica, tendo a investigação científica – fundamental ou aplicada – como um dos seus pilares centrais.

A académica falava na Sexta-feira (06/03), durante a Oração de Sapiência proferida no âmbito da Cerimónia Solene de Abertura do Ano Académico 2026, subordinada ao tema “A Universidade como motor de transformação social e construção de um futuro sustentável”.

Na sua intervenção, Natasha Ribeiro sublinhou que o verdadeiro papel da universidade consiste em gerar conhecimento capaz de transformar a sociedade e oferecer soluções inovadoras para os desafios do país. Para tal, destacou que as instituições de ensino superior precisam de autonomia real que lhes permita criar espaços de reflexão crítica, inovação e transformação social.

Segundo a professora, esse papel só poderá ser plenamente cumprido se houver reconhecimento e valorização do papel da universidade por parte do Estado e da sociedade. “Nada disso será possível sem que o Estado e a sociedade reconheçam e dignifiquem o papel da universidade. Porque uma nação que não valoriza a sua academia, não valoriza o seu próprio futuro”, afirmou.

Investigação como base do ensino universitário

Outro ponto central da aula de sapiência foi a relação entre ensino e investigação científica. Natasha Ribeiro destacou que a qualidade do processo de ensino-aprendizagem depende de uma base científica sólida, sustentada pela produção de conhecimento.

Na sua perspectiva, um docente que não investiga se limita a reproduzir conceitos, não contribuindo para a formação de profissionais capazes de pensar de forma crítica e criativa.

A professora defendeu que o docente universitário deve estimular o questionamento, o debate e a pluralidade de ideias, criando um ambiente académico em que estudantes sejam desafiados a pensar, argumentar e propor soluções.

A académica destacou ainda que o avanço da inteligência artificial representa um novo desafio para o ensino superior, exigindo inovação pedagógica, criatividade e maior capacidade de adaptação por parte dos docentes. “O docente deve abrir horizontes, expondo os estudantes a múltiplas formas de pensar, de questionar e de ser questionados. O advento da inteligência artificial impõe-nos novos desafios, mas convoca a criatividade e ousadia pedagógica. Por outro lado, o estudante não pode ser mero receptor, mas, sim, ser instigado a analisar, argumentar e agir”, disse.

Sustentabilidade como princípio orientador da universidade

Outro eixo estruturante da sua reflexão foi a literacia da sustentabilidade que, segundo defendeu, deve constituir o verdadeiro modus vivendi das universidades.

Para a docente, os estudantes precisam ser expostos aos problemas reais da sociedade, para que se tornem profissionais mais conscientes, críticos e comprometidos com o desenvolvimento do país e do mundo.

Neste contexto, defendeu também a necessidade de currículos mais flexíveis, “assim, os currículos devem alinhar-se às realidades locais e ser suficientemente flexíveis para ampliar a mobilidade estudantil, expondo-os a diversas áreas do saber”.

Governo encoraja reforço da qualidade do ensino superior

Intervindo na cerimónia, a Ministra da Educação e Cultura, Prof.ª Doutora Samaria dos Anjos Tovela, encorajou a UEM a continuar a aprimorar os seus processos de ensino, investigação e produção de conhecimento, com foco na resposta às necessidades concretas da sociedade moçambicana.

Segundo a governante, a produção científica deve contribuir directamente para o desenvolvimento das comunidades, das instituições e da sociedade em geral.

A ministra reiterou ainda o compromisso do Governo em continuar a consolidar o subsistema do ensino superior em Moçambique, através de políticas que promovam expansão, inclusão, qualidade, supervisão institucional e internacionalização.

Na ocasião, reconheceu, igualmente, o empenho da UEM no fortalecimento da qualidade do ensino e da investigação científica. “A Universidade tem desafios complexos, mas também tem uma força maior do que qualquer adversidade: a força da sua comunidade académica que trabalha e se levanta de cada tempestade”, afirmou.

UEM focada na transformação em Universidade de Investigação

Por sua vez, o Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, destacou que a transformação da instituição numa Universidade de Investigação (UdI) responde não apenas a um objectivo académico, mas também à necessidade de impulsionar o desenvolvimento socioeconómico de Moçambique.

Segundo explicou, o mundo actual caminha para uma economia baseada no conhecimento, na qual decisões estratégicas dependem cada vez mais de evidências científicas. “A aposta da UEM é construir uma Universidade de Investigação adaptada aos desafios de Moçambique e da região, capaz de prover soluções para os desafios socio-económicos e contribuir para o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O Reitor destacou, ainda, que a cerimónia de abertura do ano académico constitui um momento de reflexão colectiva sobre o papel da academia na busca de soluções para os grandes desafios do país.

Na ocasião, deu as boas-vindas aos cerca de cinco mil novos estudantes admitidos em 2026 nos diferentes cursos da universidade, encorajando-os a dedicarem-se ao estudo e à aquisição de conhecimentos, competências e valores que lhes permitam se tornar agentes de transformação social e económica de Moçambique.

Comunidade universitária vinca compromisso institucional

Falando em representação do Corpo Técnico Administrativo (CTA), Cláudio Moca felicitou os novos estudantes pela escolha da UEM, destacando o papel dos funcionários na criação de condições que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem.

Segundo afirmou, o corpo técnico-administrativo mantém o compromisso de prestar serviços de qualidade, contribuindo para o bom funcionamento da Universidade e para a formação de excelência dos estudantes. “Como CTA, reiteramos o nosso compromisso em prover serviços de qualidade, que contribuem para uma melhor aprendizagem”.

A cerimónia marcou oficialmente o início do Ano Académico 2026, na Universidade Eduardo Mondlane, vincando o compromisso da instituição com a produção de conhecimento, a formação de quadros qualificados e a promoção do desenvolvimento sustentável de Moçambique.