
Engenharia com Sotaque Lusófono: Maputo acolhe Congresso voltado à ciência e inovação
Numa altura em que o mundo procura respostas urgentes para desafios complexos – o das alterações climáticas à mobilidade urbana, da transição energética à transformação digital – Maputo transforma-se, esta semana, num palco privilegiado de reflexão, partilha e construção de soluções conjuntas. É neste espírito que decorre, entre os dias 29 de Julho e 1 de Agosto, o 10º Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia, reunindo investigadores, profissionais, académicos e estudantes de Moçambique, Portugal e Brasil.
A abertura oficial, realizada nesta Terça-feira (30), contou com a intervenção do Secretário Permanente do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Hélio Manuel Banze, que reforçou o compromisso do Governo moçambicano com a cooperação académica no espaço lusófono, entendida como um motor essencial para o desenvolvimento humano e a promoção de soluções inovadoras e sustentáveis.
Para o governante, é através de pontes como este congresso que se constroem infraestruturas duráveis, cidades mais humanas e uma juventude capacitada para liderar a transformação do continente africano. “Estamos convictos de que os debates contribuirão para formar políticas públicas, orientar o investimento estratégico e consolidar redes de conhecimento ao serviço do bem comum”, anotou.
O evento, organizado pela Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, inclui painéis temáticos, simpósios especializados, exposições tecnológicas e encontros inter-institucionais. Os debates percorrem caminhos tão diversos quanto urgentes: inteligência artificial, robótica, tecnologias digitais, ambiente, água, portos, urbanismo e formação de engenheiros em África.
Presente no evento, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, destacou o simbolismo deste congresso que, para além da sua importância científica, coincide com um marco histórico: os 50 anos da Independência Nacional de Moçambique.
Para o Reitor, o Congresso representa muito mais do que um encontro académico, mas de amadurecimento da cooperação científica, técnica e institucional entre Moçambique e Portugal, que tem resultado numa partilha frutífera de saberes, experiência e soluções.
E é exactamente esse o espírito que permeia cada sessão, cada apresentação, cada conversa de corredor: um futuro que se desenha a várias mãos, com diferentes sotaques, mas com o mesmo compromisso – o de colocar a engenharia ao serviço das pessoas e do planeta.