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UEM debate projecto sobre mudanças bruscas nos serviços de ecossistemas e bem-estar

acesA universidade Eduardo Mondlane juntou ontem, 8 de Março, num seminário, especialistas em matérias de florestas para partilhar e discutir os resultados preliminares do projecto sobre mudanças bruscas nos serviços de ecossistemas e bem-estar (ACES), com o objectivo de avaliar como essas mudanças afectam a capacidade de dois dos ecossistemas florestais mais importantes de Moçambique (miombo e mopane), de fornecer bens e serviços às populações rurais do país.
Financiado por Serviços de Ecossistemas para Alívio da Pobreza (ESPA, sigla em Inglês), o projecto ACES é liderado pela Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, em parceria com a UEM, através da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF), o Instituto Internacional para Ambiente e Desenvolvimento (IIED-Reino Unido), a Universidade do Zimbabwe e o Centro Universitário para Estudos sobre Sustentabilidade de Lund - Suécia.
Discursando em acto solene de abertura do seminário, a Vice-Reitora Académica da UEM, Prof. Doutora Amália Uamusse referiu que a iniciativa constitui uma demonstração clara da importância que a instituição que dirige concede à investigação aplicada para a resolução de problemas da sociedade moçambicana, bem como de considerar a contribuição dos seus principais parceiros na produção científica, garantindo desse modo, um melhor ajuste à realidade nacional.
Uamusse frisou que o sub-sector das florestas desempenha um papel sócio-económico e ecológico relevante, ao garantir a produção de madeira para a exportação e acima de tudo, a provisão de bens e serviços ambientais sendo que do ponto de vista das comunidades rurais, este sub-sector desempenha um papel importante no seu bem-estar, ao providenciar importantes fontes de recursos para a nutrição, saúde e protecção.
Prosseguindo, disse que o desenvolvimento económico acelerado de Moçambique impõe um desafio acelerado de conversão de grandes áreas de florestas em áreas de agricultura, habitação ou outros, o que determina novas formas de maneio e gestão de recursos florestais.
Por seu turno o director Nacional das Florestas (DINAF) no Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Xavier Sacambuera fez saber que o desmatamento e uso insustentável dos recursos naturais e das principais componentes do ecossistema (fauna e florestas) constituem principais preocupações das políticas e Plano Estratégico do seu ministério sendo que na componente de florestas, a DINAF tem a função de criar e actualizar mecanismos conducentes a preservação, conservação, gestão dinâmica e sustentável dos recursos florestais.
Frisou que desde 2015, o governo está a proceder Reforma do Sector Florestal através da revisão da legislação florestal e implementação de algumas medidas imediatas para evitar o colapso climático na área florestal tais como, a avaliação participativa dos operadores florestais; a interdição de novas autorizações para novas áreas; a redução dos operadores florestais madeireiros; a interdição de exportação de madeira em toro entre outras medidas.
O director da FAEF, Prof. Doutor Tomás Chiconela entende que o evento constitui uma oportunidade para partilhar experiências acumuladas ao longo da implementação do projecto, as boas práticas, dificuldades e as recomendações geradas pelo mesmo para a redução da degradação dos ecossistemas florestais bem como para a melhoria das políticas florestais no país.
Explicando sobre a natureza do projecto, a coordenadora da equipa, Prof. Doutora Natasha Ribeiro disse que o projecto surge do desafio internacionalmente lançado sobre a necessidade de dar resposta à questão de como é que as mudanças que estão a ocorrer na terra, concretamente a perda ou a degradação do ecossistema florestal por vários motivos, podem afectar o bem-estar das comunidades e por via disso produzir resultados através da investigação para reverter ou minimizar a situação.
O projecto ACES a ser desenvolvido desde 2014 e com duração de 4 anos, produziu até a data a capacitação institucional; a formação de recursos humanos; o desenvolvimento de parcerias; a produção cientifica relevante bem como a ligação com o sector produtivo.
Uma das estratégias usadas pela coordenação da equipa para a implementação do projecto, foi a participação dos actores a todos os níveis, na definição das questões de pesquisa e na geração de dados, incluindo as razões determinantes da escolha de opções sobre as práticas de uso da terra.
De referir que o objectivo do ESPA é garantir que, nos paises em desenvolvimento, os ecossistemas estejam a ser geridos de uma forma sustentavel que contribua para a redução da pobreza bem como para o crescimento inclusivo e sustentável.