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Fauna bravia africana continua na mira dos caçadores furtivos

leosEstima-se que em menos de uma década mais de seis mil rinocerontes foram mortos e cerca de 20 mil elefantes por ano são vítimas dos caçadores furtivos em Africa, facto consubstanciado pelo declínio destas espécies protegidas pelas nações unidas. O tráfico de animais selvagens é cada vez mais reconhecido como uma área especializada do crime organizado e uma ameaça significativa para muitas espécies de flora e fauna bravia.
Esta informação foi avançada na sexta-feira, 03 de Março, pelo director dos escritórios regionais do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Andrew Mcvery, numa palestra organizada pela Faculdade de Ciências da UEM em parceria com WWF, Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e Fundação Joaquim Chissano, em celebração do Dia Mundial da Fauna Bravia com vista a sensibilização sobre a variedade dos benefícios que estes recursos providenciam e sobre a necessidade urgente de travar a caça furtiva.

Mcvery fez saber que o comércio ilegal da fauna bravia é agora considerado como um crime grave pela Policia Internacional (INTERPOL), classificado no mesmo contexto com o terrorismo, tráfico de seres humanos e contrabando de armas. Todavia, perto de sete mil espécies continuam traficadas em todo o mundo, uma prática que rende aos furtivos centenas de milhões de dólares.
Fez saber também que o tráfico de macacos e pangolin vem registando um aumento substancial e o número de apreensões dos produtos faunísticos dos mais variados tipos também continua a aumentar exponencialmente.
O palestrante entende que parar a caça ilegal requer uma abordagem holística que passa pela realização de avaliações de eficácia regulares; pela utilização das melhores tecnologias; pelo aumento da capacidade do pessoal de campo para proteger a vida selvagem; pelo envolvimento das comunidades locais e pela partilha de informação nacional e regionalmente.
Não obstante, o director geral da ANAC, Bartolomeu Soto garante que esforços do governo para protecção da fauna bravia têm se revelado frutíferos, facto consubstanciado pelo crescimento de algumas espécies importantes de fauna bravia tal é o exemplo dos búfalos do parque nacional de Gorongosa que eram contabilizados em menos de quatro mil em 1994, e em 2016 conta com cerca de 18 mil. A contagem nacional de hipopótamos que terminou em dezembro último indica que esta população duplicou de três mil para 6497 animais de 2010 a 2016.
Por seu turno o Chefe da Comissão Científica do Departamento de Ciências Biológicas da UEM, Doutor Cornélio Ntumi, que palestrou sobre os desafios da conservação da Fauna em Moçambique, afiançou que a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento económico não são antagónicos –“ há no entanto equilíbrios a alcançar e desafios a vencer”, disse acrescentando que esses desafios passam por orientar o crescimento populacional e a ocupação do espaço de forma a minimizar os impactos na Conservação da biodiversidade e preservar os recursos únicos do País.
leoasSobre a exploração de espécies animais disse ser importante gerir sustentavelmente os recursos faunísticos, reforçando a fiscalização e identificando novas formas de envolver as comunidades locais na gestão dos recursos faunísticos e no controlo da caça furtiva.
No domínio das queimadas, asseverou ser premente “continuarmos a monitorar a evolução das queimadas e tomar medidas fortes para o seu controle, dados os efeitos devastadores para a biodiversidade e para a economia nacional”.
Actualmente o WWF e a Fundação Joaquim Chissano estão comprometidos na promoção da criação do Fórum Nacional da Fauna Bravia que será uma plataforma que envolva a sociedade civil e outros actores na valorização e conservação da fauna bravia.
Salienta-se que o Dia Mundial da Fauna Bravia foi instituído em 2013 pela Organização das Nações Unidas, no âmbito da implementação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que foi oficialmente criada em 03 de Março de 1973 sendo que este ano subordina-se ao lema “Escute a voz dos jovens”, com vista a sensibilizar este grupo etário a se envolver cada vez mais em acções de protecção da fauna como garante da sustentabilidade das gerações vindouras.