1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer

Extensão e inovação

Mais de 2 mil pacientes diagnosticados com Tuberculose pelo Programa APOPO

APOPOTrata-se de um projecto de “Detecção acelerada de casos de Tuberculose (TB)", que durou 4 anos e implementado em diferentes unidades sanitárias da Cidade de Maputo com recurso a ratos gigantes africanos, especialmente treinados para reconhecer, nas amostras de escaros, o cheiro particular dos doentes com tuberculose, levado à cabo pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em parceria com o Ministério da Saúde e a organização Belga APOPO e financiado pelo governo de Flandres.
Num seminário realizado ontem, 22 de Março, em Maputo, e que tinha em vista a divulgação dos resultados das duas primeiras fases do programa e definir as bases da nova proposta recolhendo os subsídios das diferentes instituições e parceiros envolvidos, o gestor do APOPO Moçambique, Dr. Emilio Valverde, fez saber que nos 4 anos, dos 72 mil pacientes avaliados, 36.100 eram suspeitos sendo que 5 mil foram diagnosticados nas unidades sanitárias e 2.500 pelos laboratórios do APOPO, representando um aumento da taxa de detecção avaliado em 50%.
Explicou que os ratos indicam as amostras que tem o cheiro particular do vírus e “nós pegamos nessas amostras e as verificamos com as tecnologias de ponta para que dessa maneira possa se evidenciar e diagnosticar a presença do bacilo de TB por forma a iniciar o tratamento”, disse, acrescentando que o paciente vai a uma unidade sanitária para uma consulta com o pessoal clínico e esses profissionais por suspeitarem que esse paciente possa ter TB, envia-o para o laboratório para realizar a baciloscopia.
“De seguida pegamos essas amostras enviadas a baciloscopia e as trabalhamos com os ratos. A unidade sanitária faz primeiro a baciloscopia e nós depois reverificamos as amostras e encontramos algumas que as análises não conseguiram diagnosticar”, explicou.
Disse ser mais-valia a detecção da TB através de ratos, primeiro, por serem mais sensíveis, se comparados com a microscopia e, segundo, por serem muito mais rápidos e mais baratos sendo que um rato pode avaliar cerca de 100 amostras em menos de 10 minutos, meta esta que um técnico só alcança em quatro dias.
Discursando na ocasião, a Vice-Reitora Académica da UEM, Profª. Doutora Amália Uamusse, referiu que a realização do seminário acontece numa altura em que a UEM inicia a implementação das linhas de investigação em resposta a “nossa política de investigação” sendo que a saúde constitui um dos eixos fundamentais para o desenvolvimento dos programas de pesquisa e de pós-graduação bem como extensão universitária.
Uamusse é do entendimento que sendo a TB um problema de saúde pública, o combate contra essa epidemia com base na investigação e na extensão universitária, a inserção de docentes, estudantes e investigadores na procura de formas para potenciar a identificação de terapias rápidas e eficazes evitando a resistência e promovendo a sensibilização da população na adesão ao tratamento deve ser assumido como prioridade ao nível das faculdades, escolas e centros especializados de investigação.
Refira-se que o projecto, actualmente em segunda fase, termina em Abril próximo, e diferentes parceiros manifestaram interesse na continuidade dos trabalhos sendo que a proposta ainda em preparação para essa nova fase do programa, contém três componentes principais que passam pela continuação das operações de rotina; intervenções na área comunitária e actividades de investigação como complemento e apoio aos programas de formação de investigadores da UEM.